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Irão: Empresas alertam para risco de escassez de dispositivos médicos em Portugal

Lusa
24-04-2026 18:09h

A associação que representa as empresas de produção e distribuição de dispositivos médicos alertou hoje para o risco de escassez desses produtos em Portugal, caso a guerra no Médio Oriente se prolongue.

Se conflito continuar e não forem tomadas medidas preventivas, “existe o risco de escassez de alguns produtos, devido essencialmente à erosão das margens causadas pelos custos externos não controláveis pelas empresas”, como a logística, as matérias-primas e a energia, salientou o diretor executivo da Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos Médicos (APORMED).

Citado num comunicado, João Gonçalves realçou ainda que as empresas do setor sentem dificuldades em refletir os aumentos de custos no cliente final, quando se trata de hospitais públicos com concursos a decorrer e cujo preço foi previamente estabelecido antes do conflito.

A associação manifestou-se também preocupada com o impacto que a guerra já está a ter na atividade das empresas de produção e distribuição deste tipo de produtos, recordando que, mesmo antes do conflito no Médio Oriente, o setor já estava a ser “negativamente impactado” com as tarifas aduaneiras impostas pelos EUA.

Os principais constrangimentos estão relacionados com os “elevados aumentos” dos custos da energia e dos transportes e com um “aumento muito significativo” - entre 15% a 40% - de várias matérias-primas utilizadas no fabrico e na esterilização de dispositivos médicos, como o PVC, o polietileno, o polipropileno, o alumínio, o aço, o óxido de etileno e o hélio, entre outras, adiantou a APORMED.

De acordo com a associação, a situação pode “tornar-se mais crítica, visto que o Orçamento do Estado para 2026 contempla um corte de 10,1% na despesa com a rubrica de aquisição de bens e serviços” para a área da saúde, com a consequente diminuição na despesa com dispositivos médicos.

“Poupar neste setor pode significar redução da atividade hospitalar, com impacto nas listas de espera para cirurgias e consultas médicas”, alertou a APORMED, reconhecendo que não se verificam ainda falhas generalizadas, mas existem “relatos de que alguns hospitais estão com dificuldades” na compra de consumíveis, como luvas de exame e de outros equipamentos de proteção individual.

A associação manifestou também “total disponibilidade” para se articular com as autoridades nacionais na procura de “soluções equilibradas” que permitam resolver ou mitigar eventuais cenários de ruturas de abastecimento.

Na quarta-feira, a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) adiantou que alguns hospitais já enfrentam dificuldades na compra de consumíveis, como luvas e sacos, devido à forte subida dos preços de matérias-primas causada pela guerra no Médio Oriente.

Todos estes consumíveis tiveram um aumento muito significativo de preço, em alguns casos 30%, 40%, 50%, num espaço de tempo muito curto, desde que começou este conflito no Médio Oriente”, disse à Lusa o presidente da APAH, Xavier Barreto.

Também o Infarmed admitiu que o conflito no Médio Oriente está a ter impacto a nível da logística e dos custos de combustíveis e energia, mas garantiu que não foram registadas ruturas de abastecimento de medicamentos e dispositivos médicos.

Criada em 1990, a APORMED conta com 103 empresas associadas que representam mais de 60 por cento do mercado do setor das tecnologias para a saúde, das quais 94% são micro, pequenas e médias empresas.

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