O ministro da Saúde de Moçambique defendeu hoje, no parlamento, o reforço de medidas de prevenção para evitar “complicações graves” pelo aumento de doenças crónicas e alertou para as consequências do crescimento do sobrepeso da população.
Numa informação divulgada hoje pela Assembleia da República moçambicana, refere-se que o ministro da Saúde, Ussene Isse, afirmou naquele órgão que o país enfrenta uma “tragédia silenciosa” marcada pelas crescentes doenças crónicas não transmissíveis e dos seus fatores de risco, sobretudo de mortalidade, que subiu para 37% em 2023/2024, contra 8% em 2007.
O governante manifestou também preocupação face ao aumento da população com sobrepeso que, em 2024, chegou a 35,5%, contra os 21,2% em 2005, considerando ser uma tendência de aumento de casos de obesidade, diabetes e hipertensão arterial.
O governante apelou ainda para a necessidade de mudança no perfil epidemiológico do país, tendo em conta o aumento de casos de doenças crónicas, que já representam 60% da procura pelos serviços de saúde, contra as doenças infecciosas, que têm diminuído.
“O que estamos a assistir é o aumento de fatores de risco evitáveis. E repito, evitáveis”, disse Isse, citado na informação, associando esses casos com a falta de atividade física, hábitos alimentares inadequados e consumo de tabaco e de álcool.
Ussene Isse apontou ainda para o baixo nível de conhecimento da população sobre “doenças silenciosas” como a hipertensão e a diabetes, lamentando que muitas pessoas vivem sem saber que estão doentes, “o que dificulta o diagnóstico precoce e aumenta o risco de complicações graves”.
“Prevenir e diagnosticar cedo é fundamental para evitar complicações graves”, referiu o governante, apelando para o reforço do prevenção, incentivando o rastreio regular destas doenças no Sistema Nacional de Saúde.
Em consequência desta situação, apontou para o impacto económico para o setor de saúde com o tratamento das doenças como a hipertensão e diabetes que apontou serem “significativamente mais caros” que outras doenças infecciosas como a malária.
Por outro lado, considerou ainda um “novo desafio nacional” o crescimento de casos de trauma, sobretudo resultantes de acidentes rodoviários, pedindo uma mudança urgente de paradigma no sistema saúde, com aposta na prevenção, educação e adaptação dos serviços para responder às doenças crónicas, além da necessidade de se aprovar a legislação sobre transplantes, como alternativa sustentável à hemodiálise, cuja procura tem aumentado significativamente no país.