A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Presidente brasileiro exortaram hoje os membros do G7 a demonstrarem a "coragem" necessária para permitir a finalização do tratado internacional destinado a melhorar, preparar e combater futuras pandemias.
Numa carta aberta conjunta, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, e o Presidente brasileirio, Luiz Inácio Lula da Silva, pediram aos líderes do G7 que mostrassem uma "vontade política ao mais alto nível" em certos pontos ainda pendentes.
"O mundo deve completar o que começou", escreveram.
Após mais de três anos de negociações iniciadas na sequência da covid-19, os Estados-membros da OMS adotaram em maio de 2025 um acordo histórico destinado a melhor preparar e combater futuras pandemias e que visa, nomeadamente, garantir um acesso equitativo aos produtos de saúde (vacinas, tratamentos, testes de diagnóstico).
Países ricos e países em desenvolvimento, no entanto, falharam em chegar a um acordo sobre o elemento central do tratado, ou seja, o funcionamento do "Sistema de Acesso a Patógenos e Partilha dos Benefícios Resultantes da sua Utilização" (PABS).
Perante esta realidade, Tedros e Lula consideram ser necessário um impulso político dos líderes mundiais para alcançar um avanço decisivo, especialmente tendo em vista as novas negociações previstas para ocorrerem de 06 a 17 de julho.
"Dê instruções aos vossos negociadores para chegarem à sessão de julho prontos para concluir", escrevem eles, incentivando os países que fazem parte do G7 a considerar "17 de julho como prazo final, e não como um passo intermédio".
O acordo, destinado a evitar uma repetição dos mal funcionamentos observados durante a pandemia da covid-19, não poderá entrar em vigor enquanto este anexo não for finalizado.
De acordo com estimativas da OMS e de outros organismos, até 20 milhões de pessoas perderam a vida durante a pandemia, lembram.
“A humanidade prometeu nunca mais enfrentar um desafio assim sem estar preparada”, declaram na missiva.
Os cientistas estimam que há quase uma em cada quatro hipóteses de surgir uma nova pandemia na próxima década, acrescentam.
Os rápidos avanços das biotecnologias não vêm acompanhados do mesmo nível de biossegurança em todos os lugares, o que “aumenta o risco de disseminação acidental ou deliberada” de agentes patogénicos, asseguram Tedros e Lula.
Os países que partilham agentes patogénicos emergentes perigosos devem poder ter a certeza de que as vacinas e tratamentos desenvolvidos com esta partilha também beneficiarão a sua própria população, afirmam.
"Um vírus deixado livre para se propagar em algum lugar acabará, com o tempo, por atingir toda a gente", escrevem na carta publicada na altura da chegada do Presidente do Brasil à cimeira do G7 em Évian, França, para a qual o seu país foi convidado.