O secretário-geral da ONU condenou hoje o assassínio de mais de 60 pessoas, incluindo crianças e profissionais de saúde, num ataque com um 'drone' que atingiu um Hospital Universitário no Darfur Oriental, no Sudão, na semana passada.
Em comunicado, o porta-voz de António Guterres indicou que, desde abril de 2023, a Organização Mundial da Saúde verificou mais de 200 ataques contra unidades de saúde no Sudão, resultando em mais de 2.000 mortes.
Nesse sentido, o secretário-geral da ONU exigiu que todas as partes em conflito cumpram as suas obrigações perante o direito internacional humanitário, que protege especificamente o pessoal e as instalações médicas e proíbe ataques dirigidos contra civis e bens civis.
"O secretário-geral apela às partes para que reduzam imediatamente a escalada dos combates e cheguem a acordo sobre a cessação das hostilidades", instou o porta-voz, Stéphane Dujarric.
Guterres renovou ainda o seu apelo às partes para que trabalhem com mediadores, incluindo com o seu enviado pessoal para o Sudão, a fim de regressarem à mesa das negociações para procurar um cessar-fogo duradouro e um processo político abrangente, inclusivo e liderado pelos sudaneses.
"As Nações Unidas estão prontas para apoiar medidas genuínas para pôr fim aos combates no Sudão e traçar um caminho rumo a uma paz duradoura", conclui.
O ataque em causa, ocorrido em 20 de março, fez pelo menos 64 mortos, dos quais 13 crianças, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Apesar das condenações repetidas da ONU, os hospitais são um alvo regular na guerra entre o exército e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF) no Sudão.
El-Daein, capital do estado do Darfur Oriental, controlada pelas RSF, é regularmente alvo do exército, que tenta afastar os paramilitares do corredor central do Sudão.
Quase três anos de guerra no país causaram várias dezenas de milhares de mortos e provocaram o que a ONU considera a "pior crise humanitária do mundo".