A Assembleia da República aprovou hoje, por unanimidade, um voto de pesar pela morte do escritor e médico António Lobo Antunes, aos 83 anos, assinalando que foi “um dos autores portugueses mais celebrados, traduzidos e lidos no mundo”.
O escritor António Lobo Antunes, um dos maiores nomes da literatura portuguesa desde a segunda metade do século XX, nasceu em Lisboa, em 1942, e morreu na semana passada.
O voto, apresentado e lido pelo presidente da Assembleia da República, mereceu o voto favorável de todos os partidos.
O parlamento manifestou “profundo pesar” pela morte de António Lobo Antunes, endereçou “sentidas condolências” aos familiares, amigos, editores e leitores.
O texto aprovado na sessão plenária de hoje assinala que “foi um dos autores portugueses mais celebrados, traduzidos e lidos no mundo”, tendo recebido a Ordem Militar de Sant’Iago de Espada, a Ordem da Liberdade e a Ordem de Camões. Foi também Prémio Camões em 2007.
“Foi Comendador da Ordem das Artes e Letras de França e a sua obra foi incluída no cânone da Bibliothèque de la Pléiade, uma distinção raramente concedida a escritores vivos. Recebeu inúmeros prémios literários, nacionais e internacionais”, refere.
Os deputados consideram também que “a sua memória e a sua obra perdurarão na consciência coletiva portuguesa”.
“Aplicam-se-lhe as palavras que o próprio dirigiu, em 2011, ao filósofo George Steiner: 'um mestre, no sentido mais nobre da palavra: alguém que aprende connosco'”, assinala o voto.
O parlamento refere que, após “Memória de Elefante”, publicado em 1979, Lobo Antunes “publicou mais 31 romances e diversos livros de crónicas” e a sua “produção literária percorre os encontros e desencontros da existência, a solidão, as marcas do tempo e da velhice, o amor e o ódio, o crime e o castigo, a saudade e o perdão”.
“A sua prosa explora os limites da sintaxe e da língua, em busca de uma nova amplitude de expressão. Escreveu sobre si mesmo, sobre os mundos que conheceu e, certamente, sobre todos nós”, acrescenta.
António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 01 de setembro de 1942, licenciou-se em Medicina, pela Universidade de Lisboa em 1969, tendo-se especializado em Psiquiatria, que mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda. Optou pela escrita a tempo inteiro em 1985, para combater a depressão que dizia ser comum a todas as pessoas.
A República Portuguesa condecorou o autor do “Memória de Elefante” com a grã-cruz da Ordem de Sant'Iago da Espada, em 2004 e, em 2019, com a Ordem da Liberdade. França deu-lhe o grau de “Commandeur” da Ordem das Artes e das Letras, em 2008. Foi Prémio Camões em 2007.
O Governo decretou um dia de luto nacional em homenagem a António Lobo Antunes, que se cumpriu no sábado e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou-o com o grande-colar da Ordem de Camões.
Este voto de pesar constava do guião de votações da semana passada mas foi adiado uma semana para mais familiares poderem estar presentes nas galerias do parlamento para esse momento.