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IL/Açores lamenta “divisões” entre açorianos e ilhas fomentadas por políticos

Lusa
29-04-2026 15:55h

O deputado único da IL/Açores, Pedro Ferreira, condenou hoje o “levantar de suspeitas e divisões” entre "açorianos e ilhas" a propósito da reestruturação do hospital de Ponta Delgada, que já é a "maior estrutura" da região.

Em declarações aos jornalistas após uma reunião com a administração do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, o parlamentar lamentou “profundamente que os políticos, em vez de estarem preocupados em resolver aqueles que são os problemas de gestão dos serviços de saúde” na região, “estejam preocupados em pôr açorianos contra açorianos e a dividir para reinar”.

Pedro Ferreira referia-se à discussão em torno da construção de um novo hospital na ilha de São Miguel, “a que alguns decidiram chamar de futuro hospital central”, indicou a IL/Açores num comunicado.

Em março, um grupo de cidadãos da ilha de São Miguel ligados aos meios políticos, empresariais, culturais e sociedade civil lançou uma petição a defender que o HDES seja o “hospital central e universitário” do arquipélago.

No início de abril, o presidente da Câmara de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, prometeu ser “intransigente” na defesa de um hospital central e universitário”, enquanto o líder do CDS-PP/Açores, Artur Lima, defendeu uns dias depois que a criação de um hospital central universitário na ilha de São Miguel “não é uma etiqueta política” e tem de obedecer a critérios técnicos, clínicos, científicos e académicos.

Segundo o deputado da IL/Açores, o HDES “já é a maior infraestrutura física de saúde da região, com mais profissionais, possibilidades e doentes”, e “só não é central porque a lei nem sequer prevê a existência de hospitais centrais e isso não está escrito na porta”.

Afirmando que “ninguém consegue gerir um hospital que tem um défice de um milhão a 1,5 milhões de euros por mês”, o parlamentar disse que “as administrações até têm identificados os níveis de ineficiência, até sabem onde é que podem poupar […], mas depois não têm respaldo de quem está acima, das tutelas, que, infelizmente, preferem estar com esses entretenimentos políticos, para distrair os açorianos, em vez de resolverem o essencial”.

“O que nos preocupa, de facto, é olharmos para estas realidades e depois percebermos que, na prática, aquilo que a política devia efetivamente estar a facultar e a facilitar no exercício da gestão destes serviços essenciais não facilita”, afirmou.

Referindo-se à reestruturação do HDES, Pedro Ferreira disse que o que “está ser preparado para acontecer resulta, de facto, das consequências do incêndio” que o atingiu em 04 de maio de 2024, mas, antes disso, a unidade de saúde “já tinha limitações graves de funcionamento” problemas por resolver.

O liberal indicou também que o “plano funcional definido para o redimensionamento do HDES não acrescenta uma única nova especialidade”.

O que está a ser preparado, acrescentou, “é um redimensionamento do hospital de Ponta Delgada” para fazer face a duas necessidades básicas: “fazer face às novas orientações internacionais na área da saúde, nomeadamente em áreas de internamento”, e “manter todas as especialidades e toda a diferenciação médica e clínica que o hospital de Ponta Delgada já tem”.

Pedro Ferreira lembrou ainda que o estudo da Deloitte encomendado pela atual administração mostra “um conjunto de ineficiências internas” fruto das “limitações infraestruturais” que o HDES tinha. Como exemplo, indicou que “não é possível o hospital ter uma unidade de cuidados intensivos numa ponta do edifício e uma unidade de cuidados intermédios, que têm de estar ligadas, na outra ponta do edifício”.

Nesse sentido, considerou que o HDES vai ter de crescer para responder às necessidades, recordando que “a Terceira também já teve um hospital novo” e o “hospital da Horta também já cresceu quando foi preciso dar novas e melhores respostas”.

O Governo dos Açores já adjudicou, entretanto, o programa funcional para o futuro HDES, prevendo que este seja o programa final e fique concluído até ao final do semestre.

Em 04 de maio de 2024, o maior hospital dos Açores foi afetado por um incêndio que obrigou à transferência de todos os doentes para outras unidades de saúde da região, da Madeira e do continente, tendo sido construído um hospital modular junto ao edifício do HDES para assegurar a resposta dos cuidados de saúde.

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