Uma petição lançada na ilha de São Miguel, onde reside cerca de 56% da população dos Açores, defende que o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, seja o “hospital central e universitário” da região.
O documento tem como destinatários o presidente do Governo dos Açores, da Assembleia Legislativa dos Açores e os deputados regionais, exigindo “coragem política, livre de interesses partidários ou pressões conjunturais, colocando os açorianos e a sua saúde em primeiro lugar”.
Compõem o grupo responsável pela petição cidadãos da ilha de São Miguel ligados aos meios políticos, empresariais, culturais e sociedade civil.
De acordo com os peticionários, o HDES deve “assumir-se como uma unidade de referência regional, não se limitando, tal como não o fez no passado, nem o poderá permitir no futuro, ao papel de um hospital de ilha”.
Os peticionários recordam que em São Miguel “reside cerca de 56% da população dos Açores” e é “onde se concentra o maior fluxo turístico da região”, sendo que “é a partir da estrutura e dos serviços do HDES que deve ser garantida uma resposta adequada, diferenciada e abrangente em cuidados de saúde aos açorianos”.
“O HDES sempre assumiu, na prática, o papel de hospital central dos Açores. Recebe cidadãos das nove ilhas e, ao longo dos anos, assegurou cobertura nas diferentes especialidades médicas, constituindo-se como a principal referência hospitalar da região”, sublinha a petição.
Os peticionários citam a afirmação do presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, no passado dia 09 de fevereiro, defendendo que se tire partido “da capacidade já instalada, resultante da estrutura modular implementada após o incêndio de maio de 2024, enquadrando-a numa resposta hospitalar mais robusta e ajustada às necessidades da ilha”.
Referem, a propósito, que “é profundamente preocupante uma alteração ao anunciado em 2024 e um recuo na qualidade dos cuidados de saúde prestados aos açorianos”.
“Se se pretende que o HDES responda às necessidades da ilha de São Miguel, naturalmente o HSEIT (Terceira) e o Hospital da Horta, ficarão igualmente reduzidos às necessidades das respetivas ilhas onde estão instalados”, afirmam.
Os peticionários questionam que “hospital terá capacidade para responder às necessidades dos açorianos”, salvaguardando que “confinar o HDES a uma lógica de hospital de ilha representa um retrocesso para a saúde dos açorianos, com sérias implicações funcionais, estratégicas e financeiras”.
Na petição, é recordado que a “promessa política do primeiro-ministro, em 18 de junho de 2025, de construção de um hospital universitário em Ponta Delgada, não foi devidamente aproveitada pelo Governo dos Açores como oportunidade estratégica para afirmar o HDES como hospital central e universitário da região”.
A ambição da Universidade dos Açores de criar um Centro Académico Clínico no polo de Ponta Delgada “continua sem resposta política clara e o HDES como ‘hospital de ilha’ pode colocar em causa a continuidade dos preparatórios do curso de medicina”.
Os subscritores pedem ao Governo dos Açores que “apresente aos açorianos, no ano de 2026, um modelo funcional e respetivo investimento em parceria com o Governo da República, para afirmar o HDES como hospital central e universitário dos Açores”.