A ULS Tâmega e Sousa sugeriu hoje “uma reflexão mais ampla sobre a capacidade global da rede” associada à cirurgia cardíaca, indicando que não pretende constituir-se como centro de implantação de válvulas, mas poderá contribuir para otimizar a resposta.
“A ULSTS não dispõe de cirurgia cardiotorácica e o seu serviço de Cardiologia não tem no horizonte a pretensão de se constituir como centro de implantação de válvulas aórticas percutâneas (…). A subscrição da carta enquadra-se numa reflexão mais ampla sobre a capacidade global da rede nesta área altamente diferenciada”, lê-se num comunicado enviado à agência Lusa.
O Diário de Notícias (DN) noticia hoje que quatro hospitais do Norte com serviços de cardiologia subscrevem uma carta sobre o panorama na cirurgia cardíaca na região, missiva que será dirigida à ministra da Saúde, na qual alertam para a lista de espera de doentes com problemas cardíacos a necessitar de cirurgia ou de implantação da válvula da aórtica.
Atualmente, doentes com estas características são referenciados para os dois centros de referência desta área: Unidade Local de Saúde (ULS) São João, no Porto, e ULS de Vila Nova de Gaia/Espinho.
De acordo com o jornal, subscreveram esta carta os serviços de cardiologia da ULS Santo António, no Porto, a do Tâmega e Sousa, que abrange 11 municípios, a ULS de Trás-os-Montes e Alto Douro, com sede em Vila Real, e a que gere o Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos.
Na peça do DN, o diretor de serviço de Cardiologia do Hospital Santo António, André Cruz, refere que “há hospitais que fazem o seu trabalho meritório, mas que não estão a conseguir dar resposta no tempo adequado”.
“Enquanto há outros serviços, como o nosso, com infraestruturas e competências técnicas para se tornar um centro cirúrgico e de implantação da válvula da aórtica e que há mais de 10 anos aguarda autorização para o poder fazer”, refere o diretor, que foi o promotor desta carta de alerta.
Na resposta à Lusa, a ULS Tâmega e Sousa informa que a direção do serviço de Cardiologia subscreveu a carta sobre a organização da resposta em cirurgia cardíaca e implantação valvular aórtica percutânea na região Norte, mas que a subscrição enquadra-se numa reflexão mais ampla sobre a capacidade global da rede nesta área altamente diferenciada.
“O serviço de Cardiologia da ULS Tâmega e Sousa entende que, sempre que estejam reunidos os critérios técnicos e de qualidade exigidos pelas entidades competentes, o eventual reforço da capacidade instalada poderá contribuir para otimizar a resposta assistencial aos doentes na região. A posição da ULS Tâmega e Sousa centra-se exclusivamente na garantia de continuidade de cuidados e no acesso seguro e adequado dos seus utentes às intervenções necessárias”, refere a administração.
No Tâmega e Sousa, os doentes com indicação para estas intervenções são referenciados para a ULS São João, no Porto, no âmbito da rede de referenciação do SNS.
A ULS Tâmega e Sousa assegura que mantém “articulação regular e institucional”, sendo a referenciação “dinâmica e sujeita a avaliação clínica permanente, competindo ao centro de referência a decisão final quanto à realização e priorização das intervenções”.
O DN descreve que os dois centros de referenciação têm de dar resposta aos seus próprios doentes e aos doentes destes quatro hospitais e de outros da região Norte, razão pela qual as quatro unidades subscritoras da carta querem alertar Ana Paula Martins para o panorama das listas de espera, nomeadamente para cirurgia para implantação da válvula aórtica.
No ano passado, “o Santo António referenciou mais de 250 doentes, cerca de 190 para cirurgia e os restantes para implantação de válvulas”, disse André Luz, citado na notícia.
A agência Lusa solicitou esclarecimentos a outros serviços de cardiologia de ULS da região Norte, bem como à Direção-Executiva do SNS e aguarda resposta.