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Mau tempo: PS considera lamentável e invulgar saída da ministra em plena crise com tempestades

LUSA
11-02-2026 15:55h

O líder parlamentar do PS considerou hoje lamentável que a demissão da ministra da Administração Interna tenha ocorrido quando o país enfrenta uma situação difícil na sequência de tempestades e quando o Governo tem de assumir responsabilidades.

Esta posição sobre a demissão de Maria Lúcia Amaral das funções de ministra da Administração Interna - pasta que será transitoriamente assumida pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro – foi assumida por Eurico Brilhante Dias, no parlamento, em declarações aos jornalistas.

“Vivemos momentos estranhos. No meio de uma situação de crise, temos a demissão de um titular do Governo, que tem a Proteção Civil”, apontou o líder da bancada socialista.

Segundo Eurico Brilhante Dias, haverá tempo para fazer a avaliação política do desempenho da ex-ministra da Administração Interna e das escolhas feitas por Luís Montenegro para essa pasta governativa.

Mas, “no meio desta grande borrasca, ou desta sucessão de tempestades”, o presidente da bancada socialista classifica como incompreensível “que um membro de um órgão de soberania saia de funções quando aquilo que se pede aos membros dos órgãos de soberania e, em particular ao Governo, é que assumam as suas responsabilidades e enfrentem coletivamente este momento difícil”.

Eurico Brilhante Dias procurou, depois, fazer um contraste entre a atual situação e a forma como o segundo Governo liderado por António Costa reagiu à pandemia da covid-19 - uma conjuntura marcada por um quadro de “grande adversidade”.

“Era então o momento de mostrarmos que liderávamos este país e que os portugueses podiam contar connosco. Agora, é lamentável que isto tenha acontecido no meio desta emergência”, insistiu.

Eurico Brilhante Dias salientou a seguir a tese de que, “no meio de uma forte tempestade e na situação de emergência que se vive, um responsável político deve ficar até ao fim e deve executar as tarefas que lhe foram confiadas”.

“Sair na circunstância que vivemos, na terça-feira à noite, acho que é a primeira vez que vejo um membro do Governo sair no meio de uma situação tão difícil”, acrescentou.

Nas suas primeiras palavras, Eurico Brilhante Dias deixou uma mensagem de solidariedade aos cidadãos “que no país e, em particular no distrito de Coimbra, “vivem hoje momentos de grande incerteza”.

 O líder parlamentar do PS manifestou-se apreensivo com a possibilidade de um dos diques do rio Mondego ceder e alagar uma zona importante de Coimbra, mas, também”.

Na terça-feira à noite, a Câmara de Coimbra tomou a medida preventiva de retirar cerca de três mil pessoas face ao risco de as margens do rio Mondego colapsarem.

 Na região de Coimbra, também vários concelhos do distrito, principalmente no baixo Mondego, estão a ser atingidos por cheias graves nos últimos dias.

Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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