O programa do Turismo de Portugal que pretende assegurar alojamento de emergência às famílias afetadas pelas tempestades conta até esta hora com 27 adesões entre unidades hoteleiras e alojamento local, sobretudo no centro, confirmou a Lusa no site da entidade.
"A resposta é sim. Estamos convocados, estamos a participar [no 'Portugal Acolhe']", disse o presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Bernardo Trindade, num encontro com os jornalistas, no Porto, onde começa hoje o 35.º Congresso Nacional da AHP.
Na terça-feira, o Turismo de Portugal (TP) anunciou um novo programa de alojamento de emergência em estabelecimentos turísticos para as populações afetadas pela depressão Kristin, chamado de “O Turismo acolhe”, visando responder às necessidades imediatas de habitação nos 68 concelhos incluídos no estado de calamidade.
"Fomos contactados pelo Turismo de Portugal, como aliás já o tínhamos sido durante a pandemia e onde fomos muito participativos. Neste caso, trata-se, no fundo, de convocar as unidades hoteleiras, nomeadamente as regiões que foram mais impactadas pelos efeitos [da tempestade]", recordou Bernardo Trindade.
A vice-presidente executiva da AHP disse que lançaram logo um inquérito aos associados.
"O primeiro para nos darem o diagnóstico, qual o tipo de danos que tinham. O segundo para saber que pessoas é que já estavam a acolher e o terceiro para mostrarem a disponibilidade. Portanto, o primeiro levantamento de danos está e estará a correr. O segundo, muito antes deste panorama já a hotelaria nas zonas afetadas estava a acolher primeiramente os seus trabalhadores e famílias [...]", disse Cristina Siza Vieira.
A responsável lembrou que, antes do lançamento do programa pelo TP, alguns hotéis nas zonas mais afetadas já tinham aberto portas "expressamente", para esse fim, já que, tal como no Algarve, há unidades hoteleiras que encerram na época baixa.
O programa tem como beneficiários pessoas com residência principal num dos concelhos abrangidos pelo estado de calamidade e cuja necessidade de alojamento temporário seja comprovada por declaração emitida pela respetiva câmara municipal.
Dirige-se ainda a trabalhadores de entidades públicas e associações destacados para os trabalhos de reconstrução nos concelhos em causa, desde que as despesas não estejam cobertas pelas respetivas entidades.
“Assente na capacidade instalada do setor do turismo e no seu papel enquanto fator de coesão económica e social, o programa mobiliza entidades exploradoras de empreendimentos turísticos e de alojamento local para disponibilizarem unidades de alojamento, em regime temporário e excecional, com apoio financeiro assegurado pelo Turismo de Portugal”, avança a entidade em comunicado.
A gestão integral do programa - que vigora até 28 de fevereiro, mas pode ser prorrogado em função da evolução da situação e da avaliação das necessidades - é assegurado pelo Turismo de Portugal, que assume também o pagamento às empresas aderentes que pretenderem aceder ao apoio financeiro, assim como a monitorização da correta implementação da medida.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
O 35.º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, organizado pela AHP, conta com mais de 450 inscritos e promete "três dias de ideias com foco no que realmente interessa ao setor", referem.