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Governo moçambicano desafia privados a participarem na transformação digital

LUSA
11-02-2026 12:27h

O ministro das Comunicações e Transformação Digital moçambicano, Américo Muchanga, desafiou hoje o setor privado a participar ativamente na transformação digital do país, garantindo que as empresas serão atores dessa transição e vão beneficiar do resultado.

“Queremos que seja o setor privado que faz isso, contratado pelo Estado, com a supervisão do Estado, o Estado a estabelecer a arquitetura, as regras (…) o setor privado vai, sim, primeiro beneficiar deste processo de transformação digital, mas, em segundo lugar, ser o ator da implementação desses sistemas”, disse o ministro.

O governante assumiu a posição ao intervir num painel da primeira Conferência Nacional sobre Transformação Digital, que decorre hoje em Maputo, com a participação do Presidente da República, Daniel Chapo, tendo sublinhando a importância de todos participarem neste processo, para que “rapidamente” avance e assegure, “em última instância, que o cidadão tira benefício” dessa revolução digital em curso.

Exemplificando, Muchanga apontou a necessidade de “interoperar” sistemas de privados com os do Estado, através desta transição digital: “Se uma instituição financeira, um banco, quiser criar uma conta do cliente, em vez de pedir o documento de identificação e reescrever no seu sistema digital a informação que está no BI, será possível o sistema da instituição financeira interligar-se com o sistema do Estado e obter esses dados de forma direta”.

E isso, disse, “vai resultar em duas coisas”, desde logo em “poder servir o cliente rapidamente”, mas também garantir a identificação segura do utilizador.

“Porque quando eu apresento um instrumento de identificação como BI, ou carta de condução, ou qualquer outra forma de documento, de facto a instituição financeira apenas confia no documento que eu lhe apresentar. Porque não tem como confirmar a autenticidade do documento. Mas se ela, em vez de usar os dados que estão no BI, estiver a trazer os dados do sistema de identificação civil do Estado, dá mais certeza de que esta pessoa é quem ele diz ser”, alertou o ministro.

Contudo, sublinhou, “o setor privado vai sentir” que o Estado “não quer implementar esses sistemas”, nem tão pouco vai desenvolver as aplicações ou implementar os centros de dados e as infraestruturas de comunicação, tarefa que caberá às empresas.

O ministro convidou, por isso o setor privado que ser “ator neste processo. Porque é dessa maneira que vamos construir o Estado que nós queremos, de forma célebre, com segurança e com a qualidade que se espera do nosso Estado”.

Muchanga recordou que o Governo já começou em 2025 a lançar concursos públicos no âmbito desse processo de transição digital, nomeadamente nas instituições públicas, que vão continuar este ano, “tanto para estabelecer os sistemas digitais, assim como para estabelecer as infraestruturas digitais”.

Recordou que nesta matéria já foi lançada a plataforma moçambicana de assinaturas digitais, com certificação digital, contratada uma empresa “para fazer o sistema de interoperabilidade” e outra para desenvolver o portal cidadão.

“Vamos promover concurso para poder ter o sistema de identidade digital. Lançamos concurso para fazer a expansão da infraestrutura de telecomunicações para mais de 300 sites [antenas]”, disse o ministro das Comunicações e Transformação Digital, sublinhando que a “maior parte” destes projetos são financiados pelo Banco Mundial.

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