O Museu da Chapelaria inaugura no dia 15 uma exposição de chapéus que, concebidos por ‘designers’ de renome e também por profissionais do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, querem celebrar “o poder transformador da criatividade”.
A mostra do referido museu de São João da Madeira, no distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, abrirá ao público no domingo de Carnaval, quando se evoca especificamente a Luta contra o Cancro Infantil, e apresentará até 12 de abril mais de 20 chapéus, numa combinação entre produtos formais e criações mais lúdicas.
A exposição intitula-se “Chapéus com aTTitude – Criar com o coração” e resulta de uma experiência em 2024, quando, para assinalar o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos na Infância, o Museu da Chapelaria levou ao Serviço de Pediatria do IPO vários acessórios de cabeça para que as crianças e jovens aí internados os experimentassem.
Foi assim que surgiu a ideia de repetir a parceria em 2026, no próprio museu, convidando algumas crianças do IPO a visitarem esse espaço cultural e, pelas 15:00, aí desfilarem com os chapéus, antes de os depositarem nas vitrinas expositoras.
“O nosso museu não é apenas um local que expõe objetos – é um espaço ao serviço da comunidade”, declarou à Lusa a diretora da casa, Tânia Reis. “Com estes chapéus, tão distintos e variados, vamos chamar a atenção para o cancro infantil e levar as pessoas a refletir sobre a sociedade em que vivemos, evitando que se tornem indiferentes ao que se passa à sua volta”.
O presidente do conselho de administração do IPO Porto, Júlio Oliveira, diz que cada peça concebida nessa unidade reflete “criatividade, coragem e solidariedade”, enquanto “testemunho do impacto positivo da arte, da expressão e do envolvimento comunitário na vida dos doentes”.
A iniciativa dedicada ao “Chapéu com aTTitude” visa assim, por um lado, reforçar “a importância dos cuidados paliativos pediátricos” e, por outro, sensibilizar a sociedade “para os desafios enfrentados por crianças e jovens com doenças oncológicas”.
Os ‘designers’ e chapeleiros profissionais que se associaram ao projeto com “criações exclusivas” são Alexandra Moura, Andreia Lobato, Celso Assunção, Juliana Regadas – Le Trap, Katty Xiomara, Luís Stoffel e Sofia Caldas – Avo Atelier.
Já da parte do IPO, a produção foi coletiva esteve a cargo de médicos, enfermeiros, administrativos e investigadores. “Até o conselho de administração apresentou um chapéu, assim como o laboratório Outcomes Reserch Lab”, realça Tânia Reis.
O chapéu desenhado por Celso Assunção, por exemplo, é sobretudo de feltro verde e evoca personagens de fantasia como o Chapeleiro Louco do livro “Alice no País das Maravilhas” e a Fada Sininho dos enredos com Peter Pan. “Foi concebido como uma peça artística que celebra o poder do imaginário infantil e a magia dos heróis. É uma metáfora visual da viagem para além do óbvio – uma homenagem aos mundos onde tudo é possível […] e cada criança encontra o herói dentro de si”, explica o próprio autor.
O IPO, por sua vez, troca metáforas por elementos mais imediatos: o Serviço de Gestão de Doentes apresenta um chapéu cujo topo replica um balão de ar quente e o Serviço de Radiologia apresenta uma cartola em que predominam os tons de verde, com relevos de flores e plantas a lembrar um jardim. “Tudo sítios onde as crianças internadas preferiam estar”, admite Tânia Reis.