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Unidade de Alcoologia de Lisboa está a perder respostas desde 2020 - utentes

Lusa
06-02-2026 20:03h

A associação de utentes da Unidade de Alcoologia de Lisboa alertou hoje que as consultas não substituem o serviço de internamento, encerrado há quase seis anos, e denunciou que a unidade está a perder respostas desde 2020.

“Sem o internamento teria sido muito difícil [deixar o álcool], eu andei ali seis meses em consultas de ambulatório [de rotina] ia lá de 15 em 15 dias e saía das consultas e ia beber”, disse à Lusa Jorge Guerra, dirigente da associação Por M.I.M. - Amigos da Unidade de Alcoologia de Lisboa (UAL) e que foi paciente na unidade.

O dirigente indicou que várias dezenas de pessoas precisam do tratamento que a unidade disponibilizava.

O internamento, que era gratuito e durava 28 dias, proporcionava, não só consultas de rotina aos utentes, mas também atividades terapêuticas, ou seja, era um programa de acompanhamento psicoterapêutico.

O dirigente indicou as alternativas são tratamentos caros que duram meses e que “nem todas as pessoas estão dispostas a aceitar”.

Segundo Jorge Guerra, esta semana foi também encerrado o programa “O caminho” que também proporcionava atividades terapêuticas, como a partilha de experiências com outros pacientes.

O dirigente disse ainda que há falta de profissionais na UAL, referindo que assistiu a uma diminuição de enfermeiros e médicos.

“O que se tem notado é uma redução gradual das valências daquela unidade”, lamentou o dirigente.

Jorge Guerra acrescentou que alguns profissionais da UAL estão a ser transferidos para unidades onde apenas são realizadas consultas de rotina e receitados medicamentos, alertando que os pacientes “para além de uma medicação”, precisam de “muito apoio psicológico”.

A associação Por M.I.M. enviou hoje uma carta à imprensa a denunciar encerramentos de serviços que prometiam ser temporários e se tornaram permanentes.

O serviço de internamento encerrou em março de 2020, mas ao longo desse ano foram feitas comunicações que previam a reabertura em setembro desse ano, segundo a carta.

Desde 2020, que há apelos para reabrir o serviço de internamento da UAL.

“Num país onde o alcoolismo continua a ter um impacto significativo na saúde, na economia, na vida das famílias e a ser um dos principais fatores causadores de violência doméstica e de acidentes rodoviários, importa questionar de forma clara e transparente qual a razão para esta unidade de saúde estar a desaparecer em silêncio”, refere a carta.

A Unidade de Alcoologia de Lisboa, criada em 1967, está atualmente sob a tutela do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) do Serviço Nacional de Saúde.

Jorge Guerra disse ainda que marcou uma audiência com a presidente do ICAD, Joana Teixeira, no dia 26 de fevereiro para sublinhar a importância do serviço de internamento da UAL e possível reabertura.

A Lusa contactou o ICAD para obter esclarecimentos sobre o encerramento do programa “O caminho” e a reabertura do serviço de internamento, mas o instituto remeteu mais informações para mais tarde.

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