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Mau tempo: BE considera inaceitável não serem mobilizados todos os recursos europeus

Lusa
04-02-2026 12:48h

O coordenador do Bloco de Esquerda (BE), José Manuel Pureza, considerou hoje inaceitável que não estejam a ser mobilizados todos os recursos europeus, por incúria do Governo, para responder aos impactos de depressão Kristin.

Na Marinha Grande, distrito de Leiria, onde hoje visitou as populações afetadas pelas tempestades, José Manuel Pureza defendeu uma “rápida mobilização de todos os recursos que a União Europeia põe ao serviço do nosso país para este tipo de efeitos”, considerando que “não é aceitável que, por razões burocráticas ou por incúria”, esses recursos não sejam mobilizados.

O coordenador do BE defendeu igualmente “uma presença forte por parte de entidades que fiscalizam margens de comercialização, para evitar que a aflição dê lugar à especulação”, algo “não só condenável do ponto de vista moral”, como “absolutamente inaceitável”.

O bloquista apelou a “uma urgente definição por parte do Governo, de mecanismos financeiros e operacionais para a reconstrução do tecido produtivo que em zonas como a da Marinha Grande”.

Em declarações à agência Lusa, no final de uma reunião com o presidente da autarquia, Paulo Vicente, José Manuel Pureza sustentou que “os apoios governamentais tardam, apesar de já terem sido aprovados” e criticou a falta de definição relativamente aos “apoios para a reconstrução de infraestruturas, de capacidade produtiva, de cadeias de distribuição”.

Para o coordenador do BE, “a realidade que se vive na Marinha Grande é a expressão de uma calamidade que se abateu sobre as infraestruturas, sobre a comunidade, sobre o território e sobre muitas pessoas, que têm as suas vidas completamente em suspenso”.

Da conversa com o autarca e a sua equipa Pureza retirou que “o que está funcionar para aliviar a desgraça das pessoas é, acima de tudo, o trabalho solidário, a entrega solidária por parte de gente desinteressada, que entrega aquilo que tem, aquilo que pode para minorar o sofrimento de muita gente”.

Mas para o BE, “o Governo não está a cumprir a sua parte e isso merece uma crítica muito severa da nossa parte”.

Numa altura em que “a Kristin passou e o Leonardo está a chegar avizinham-se momentos que podem ser muito complicados”, que para a região quer para todo o país, alertou para vincar que “é muito importante que o Governo tome decisões”.

Nomeadamente no que respeita “aos trabalhadores que têm horários que podem coincidir com os picos de cheia ou com os picos de catástrofe climática” e que considera que devem ter agora um regime similar ao implementado durante a pandemia de covid-19.

“Sem alarmismo, mas com muito realismo e com muita determinação, o Governo tem que criar condições para que, havendo não só cheias, mas picos de mau tempo que possam pôr em perigo a vida de pessoas, todas essas vidas sejam salvaguardadas”, bem como o seu sustento material, concluiu.

Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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