Os trabalhadores da saúde no Algarve cumprem hoje um dia de greve para exigir melhores condições laborais e defender o serviço público de Saúde, inserido numa jornada de luta convocada pela União de Sindicatos do Algarve.
Guadalupe Simões, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), criticou a Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve por continuar a apostar na contratação de profissionais ao abrigo de planos de contingência, em vez de reforçar a contratação por tempo indeterminado, numa região onde faltam, enumerou, 500 assistentes operacionais, cerca de 1.500 enfermeiros generalistas, mais de 500 enfermeiros especialistas e cerca de 500 técnicos e diagnóstico.
A falta de concursos de acesso às carreiras, “estagnando a possibilidade de desenvolvimento profissional dos enfermeiros”, também é criticada pelo SEP, que manifestou a sua preocupação pela possibilidade de alguns serviços da ULS do Algarve poderem vir a ser privatizados.
Guadalupe Simões teme que o esforço que o país está a fazer para suportar 5% de encargos na defesa, para responder às exigências internacionais colocadas no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN ou NATO, na sigla em inglês), possa ter efeitos no setor da saúde, ao ser “cativado dinheiro que é necessário no âmbito do SNS [Serviço Nacional de Saúde]” para cumprir essas metas.
“Por um lado, porque o Hospital do Central do Algarve continua a não ver a luz do dia, depois foi propagandeada a construção do Centro Oncológico de Referência do Sul, que foi assumido por parte da Ministra da Saúde, há duas semanas atrás, que afinal já não iria ser construído e as valências que estavam previstas para aquele centro oncológico seriam inseridas dentro do novo hospital”, exemplificou.
A possível transferência de serviços públicos para o setor privado ou social, através da Misericórdias, “significa que o Governo, relativamente à região do Algarve, continua num caminho de dilapidação” para mais facilmente entregar a gestão aos privados, sem que se demonstre a eficiência da medida.
Rosa Franco, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (STFPSSRA/CGTP-IN), disse que faltam Técnicos Auxiliares de Saúde (TAS) e criticou a administração da ULS do Algarve por “continuar a contratar assistentes operacionais para desempenhar funções de TAS”.
A representante sindical quantificou em 500 o número de trabalhadores desta categoria profissional em falta na região e lamentou que a ULS do Algarve apenas abra vagas para assistentes operacionais, nos “poucos concursos” que lança.
Profissionais a fazer 16 horas consecutivas de trabalho são uma realidade e a ação de luta de hoje é necessária para garantir um Serviço Nacional de Saúde “público, acessível e de qualidade” e uma “política de recursos humanos que valorize todos os profissionais de saúde e garanta os cuidados seguros, humanizados e universais” às populações, defendeu.
A greve insere-se numa ação de luta regional convocada para hoje pela União de Sindicatos do Algarve para exigir melhores condições de trabalho, numa região onde são reportados benefícios económicos pelas empresas, mas a precarização laboral e baixos salários são “o dia-a-dia dos trabalhadores” nos setores do turismo, comércio e serviços.