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Carrreira médica devia ter condições diferentes consoante a especialidade - diretor executivo

Lusa
04-02-2026 11:51h

O diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Álvaro Almeida, defendeu hoje que a carreira médica devia prever condições diferentes consoante as especialidades e regiões do país, considerando que a situação atual gera desequilíbrios.

“Não é a mesma coisa o esforço de um médico de Medicina Interna numa urgência como a do Amadora-Sintra ou o de outras especialidades que trabalham das 09:00 às 17:00”, disse o responsável durante uma audição na comissão parlamentar de Saúde, a pedido do PS, sobre as vagas por preencher no internato médico.

Para Álvaro Almeida, o facto de a carreira ser igual para todos os médicos, independente da especialidade, faz com que algumas sejam menos procuradas e o sistema tenha mais dificuldade em atrair para as especialidades mais deficitárias no SNS, como a Medicina Interna.

“Com o agravamento de que na Medicina Interna não há capacidade para a produção adicional”, disse o responsável, acrescentando: “nunca resolveremos o problema da Medicina Interna enquanto mantivermos o princípio de que todos ganham o mesmo, seja no Amadora-Sintra ou no Santo António, no Porto”.

O diretor executivo do SNS instou os deputados a refletirem sobre esta matéria, defendendo que se não forem criadas “diferenciações pela positiva” para alguns casos “dificilmente se resolve o problema” das especialidades mais deficitárias, como a Medicina Interna, onde “as condições de trabalho são mais penosas e a perspetiva de carreira é menos aliciante”.

Questionado pelos deputados sobre a estratégia na abertura de vagas para o internato médico, disse que a opção foi abrir mais para alargar o leque de escolha dos candidatos e que é a isso que se deve o aumento de vagas por preencher, sublinhando, por outro lado, que o número de médicos que escolhem a especialidade tem aumentado de ano para ano.

Segundo Álvaro Almeida, o último concurso para o internato médico, em 2025, “foi o melhor dos últimos anos”, com o maior número de médicos colocados", exemplificando com números: “Ficaram colocados no internato mais 11 do que em 2024 e mais 26 do que em 2023”.

“A estratégia seguida está a funcionar”, defendeu, sublinhando que olhar para o internato apenas pelo número de vagas por preencher “é olhar de forma errada”.

O diretor executivo do SNS adiantou que também em Medicina Geral e Familiar (MGF) o número de vagas aumentou (mais 65) e as ocupadas cresceram de 453 em 2023 para 457 em 2024 e 461 em 2025. No total das especialidades, houve mais 173 vagas abertas no ano passado do que em 2024 e, segundo os resultados do concurso, ficaram por preencher 20%.

Apontando também como especialidades deficitárias no SNS a Pediatria, Anestesiologia e Ginecologia/Obstetrícia, Álvaro Almeida insistiu que ”se há mais vagas por preencher é sinal de que as instituições de saúde aumentaram a sua capacidade formativa (…) e isso permite abrir mais vagas”.

“Claro que se o número de médicos candidatos é limitado, há mais vagas por preencher”, disse o responsável, que considerou que o facto de Portugal ter mais médicos por habitante do que a media da UE – “mesmo depois das necessárias correções” – não significa que haja médicos a mais.

E justificou, dizendo que a média da UE é “insuficiente para as necessidades” e que algumas especialidades têm um “défice profundo” de especialistas, exemplificando com MGF, MI, Pediatria, Anestesiologia e Ginecologia/Obstetrícia.

Questionado também sobre o mapa de necessidades do SNS – que o presidente do Conselho Nacional do Internato Médico, numa audição parlamentar na semana passada, disse não ser público -, Ávaro Almeida disse que a Direção Executiva do SNS conhece as necessidades, as especialidades mais deficitárias e as regiões mais carenciadas.

Quanto à divulgação pública dessa informação, remeteu para a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), que é quem define quantas e quais as vagas a abrir, depois de atribuídas as idoneidades formativas pela Ordem dos Médicos.

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