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Cobertura do rastreio dos cancros cólon e reto e colo do útero ainda longe da meta

Lusa
04-02-2026 07:00h

O número de utentes abrangidos pelos rastreios de base populacional foi o mais elevado em 2024, mas nos cancros do cólon e reto e colo do útero as coberturas estão longe da meta de 90% previsto para 2030.

Segundo os dados do relatório relativo a 2024 da monitorização dos rastreios oncológicos de base populacional, hoje divulgado, a taxa de cobertura do rastreio do cancro da mama foi superior a 90%, com 877.377 mulheres convidadas, ultrapassando a meta definida na Estratégia Nacional de Luta Contra o Cancro para 2030.

Neste rastreio, apesar da cobertura superior a 90%, a taxa de adesão foi de 50%, com um total de 440.190 mulheres a fazerem o exame (412.546 no Continente, 12.161 nos Açores e 15.483 na Madeira).

Já a cobertura populacional do rastreio do cancro do colo do útero ficou-se pelos 61%, mas ainda assim representa o maior número de sempre de mulheres convidadas (365.978). Destas, foram rastreadas 344.405.

“No colo do útero não estamos onde gostaríamos, mas tivemos o maior número de convidadas e rastreadas de sempre”, reconheceu, em declarações à Lusa a diretora do Programa Nacional Para as Doenças Oncológicas.

Para Isabel Fernandes, a publicação das normas para os rastreios do cancro do colo do útero e do cólon e reto pode ajudar a melhorar estes números.

Do total de mulheres rastreadas em Portugal, 43.968 tiveram teste de HPV (papiloma vírus) positivo e 20.373 (5,9%) foram referenciadas para cuidados hospitalares.

Apesar de a cobertura populacional ter subido em 2024 dois pontos percentuais face a 2023 (59%), ainda está abaixo do valor atingido em 2022 (64%).

No cancro do cólon e reto, a cobertura populacional do rastreio ficou-se pelos 32,5% em 2024, também abaixo da meta de 90% prevista para 2030.

A taxa de adesão ao rastreio, segundo os dados da DGS, baixou de 52% para 50%, com um total de 268.710 utentes rastreados.

Dos utentes rastreados, 20.230 apresentaram lesões identificadas por colonoscopia, dos quais 531 (0,2%) foram referenciados para cuidados hospitalares.

Nos últimos anos, este rastreio foi o que mais evoluiu, mas os peritos reconhecem que esta evolução tem sido muito lenta.

No roteiro de ação para 2026 definido pelos especialistas da DGS está previsto conseguir uma cobertura de 90% para os três rastreios de base populacional já existentes, assim como a definição de linhas de financiamento específicas para incentivar as unidades de saúde a promover estes rastreios.

O alargamento dos horários de funcionamento dos rastreios é uma das medidas apontadas para aumentar o acesso e a taxa de adesão.

Os peritos apontam ainda a necessidade de melhorar os sistemas de informação de suportam a atividade dos rastreios e de uma maior colaboração com o Registo Oncológico Nacional (RON).

“Embora o RON não esteja na dependência da DGS, é importante para o estabelecimento de estratégias nacionais na área da oncologia, dado que permite o acesso a dados contemporâneos sobre epidemiologia e efetividade do tratamento oncológico”, escrevem.

Dizem ainda que a partilha de informação entre os sistemas de monitorização dos rastreios e o RON “é essencial para uma visão completa de todo o processo”.

Sobre os novos projetos piloto de rastreios previstos – pulmão, próstata e estômago -, Isabel Fernandes explicou que já arrancou o do pulmão, em Gaia, e que deverá entretanto começar também o rastreio na Unidade Local de Saúde (ULS) de Santa Maria (Lisboa). Até ao final do ano a responsável disse esperar que avance o da ULS de Santo António (Porto).

Apontou ainda diversos projetos em que Portugal está envolvido para tentar captar financiamento europeu para os projetos-piloto dos novos rastreios, acrescentando: “Depois vai ter de haver uma análise de custo-efetividade e depois se avaliará quais é que são para implementar como base populacional, ou não”.

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