SAÚDE QUE SE VÊ

Mov64 nasce para promover a saúde e dignidade dos doentes no SNS

Lusa
28-01-2026 16:49h

A associação cívica Mov64, criada após uma experiência hospitalar marcante do seu presidente, é lançada na quinta-feira para dar voz aos cidadãos e promover a saúde e a dignidade dos doentes no SNS, anunciou hoje o movimento.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da associação, Adriano da Costa Macedo, contou que a associação foi criada de forma informal em 2023, após “uma experiência completamente tenebrosa” que viveu em agosto de 2022, na altura com 62 anos, no Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra).

Apesar de ter contactado previamente o SNS 24, aguardou várias horas por assistência, tendo sido diagnosticado com peritonite e septicemia generalizada, o que levou a uma cirurgia urgente após mais de 20 horas: “Felizmente, a operação correu bem, com uma recuperação muito rápida, mas estive quase dois anos ostomizado”, contou.

“Encontro-me perfeitamente recuperado. Mas, no meio desse processo e da morosidade com que tudo estava a decorrer, decidi criar o Mov64”, explicou o presidente, sublinhando que a associação nasceu de forma informal, poucos dias depois de ter regressado a casa do hospital.

“Mal conseguia pegar no tablet para escrever, enviei um e-mail ao senhor primeiro-ministro [na altura António Costa] a relatar a situação”, revelou.

Durante esse período, Adriano da Costa Macedo contactou várias entidades e responsáveis do setor da saúde: “Tive o bastonário da Ordem dos Médicos, o doutor Carlos Cortes, a responder de forma preocupada, assim como o doutor Fernando Araújo, à época diretor executivo do SNS”, referiu.

Apesar de o problema clínico se ter resolvido, a experiência levou-o a uma decisão clara: “É preciso dar voz aos cidadãos. A saúde não pode ser apenas um assunto entre governos e associações sindicais. Os cidadãos são a razão de ser do SNS”, defendeu.

Uma das principais preocupações da associação é a necessidade de o Estado apostar mais na promoção da saúde, “em vez de se dedicar apenas à gestão da doença”.

O presidente salientou que, apesar das dificuldades enfrentadas nos últimos anos, “Portugal tem um Serviço Nacional de Saúde dos melhores do mundo”, exemplificando que apenas “meia dúzia” de países asseguram cuidados, como transplantes de rim, fígado ou pulmão, com equipas médicas de “elevadíssima qualidade”.

“Temos que dar graças a essa circunstância e proteger o Serviço Nacional de Saúde. Temos que ter um comportamento individual também responsável, mas o Estado tem que promover mais a saúde, para que não tenhamos uma população cada vez mais doente”, defendeu.

Quanto ao nome da associação, o responsável explicou que resulta da junção de “Mov”, abreviatura de movimento, refletindo a união de cidadãos em torno de um objetivo comum, e do número 64, referente ao artigo da Constituição que consagra os direitos e deveres dos cidadãos na área da saúde.

O Mov64 pretende mobilizar cidadãos e angariar associados para poder ter voz junto das autoridades e sobre as decisões para o SNS

Entre as primeiras iniciativas da associação está o lançamento do Programa Anti-Obesidade, integrado na promoção da saúde.

Para esse efeito, a associação realizou um inquérito junto das escolas secundárias pública, com o objetivo de perceber de que forma a alimentação e a saúde estão a ser abordadas nas escolas, cujos resultados serão divulgados na apresentação oficial da associação, em Oeiras, distrito de Lisboa.

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