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Albuquerque diz que venda do atual hospital é questão de futuro e "não é efetiva"

Lusa
28-01-2026 13:27h

O presidente do Governo Regional da Madeira afirmou hoje que a venda do hospital Dr.Nélio Mendonça não é uma decisão “efetiva” e o montante da alienação serviria para abater a dívida da quota-parte dos madeirenses na construção da nova unidade.

“Nós não trabalhamos sobre o joelho. É importante os madeirenses saberem que a questão do Hospital Nélio Mendonça não é uma questão efetiva”, disse Miguel Albuquerque aos jornalistas à margem da visita que efetuou às obras em curso no Lar de Ponta Delgada, na freguesia com o mesmo nome, no concelho de São Vicente, no norte da ilha da Madeira.

O chefe do executivo madeirense (PSD/CS-PP) reforçou que foi feito um estudo técnico sobre quanto custaria converter o atual hospital do Funchal num lar e as “estimativas a custos atuais são de 107 milhões de euros”.

Segundo o governante insular “manter uma estrutura com quase 60 anos, adaptá-la à nova legislação de lar tem custos elevados”, apontando que a “ideia é aproveitar essa área para depois fazer habitação a custos controlados”.

“Isso é uma questão que será decidida no futuro, não sou eu que vou decidir”, acrescentou, complementando que acaba o atual mandato em 2029, a mudança para o novo hospital do Funchal está prevista para o ano seguinte.

Escusou-se a adiantar se pretende apresentar uma recandidatura, Albuquerque declarou: “Possivelmente já não estarei cá”.

Sobre as críticas de quem tem sido alvo sobre esta questão, recordou que existe uma resolução do Conselho de Ministros, do tempo do primeiro-ministro socialista António Costa, no sentido da verba da venda do atual hospital ser afeta para pagar os custos que a Madeira tem de suportar neste projeto.

“Os contribuintes da Madeira vão ter que pagar quota-parte dos custos do novo hospital. Se conseguirmos ter receitas para afetar tem toda a lógica do ponto de vista financeiro”, vincou.

Miguel Albuquerque assegurou não ter medo de dizer “a realidade às pessoas”, nem das críticas nas redes sociais, considerando que “o problema dos políticos é não dizer e camuflar a verdade”.

“Transformar [o hospital Nélio Mendonça] em lar tem custos acrescidos pelas razões técnicas que estão lá” e “do ponto de vista social, aproveitar para habitação é importante”, adiantou.

Questionado sobre a situação da alteração do regime do subsídio de mobilidade, apontou que os presidentes dos governos regionais da Madeira e dos Açores ainda não foram contactados pelo Executivo da República sobre este assunto.

Insistiu nas críticas às mudanças “inaceitáveis” feitas, como a exigência de certidão de ausência de dívidas ao Fisco e à Segurança Social e o teto de 200 euros na viagem só num dos sentidos.

“Não sei o que o Governo da República vai fazer”, lembrando que a 18 de fevereiro será votada a proposta de lei na Assembleia da República “para revogar as disfuncionalidades” e “deve haver uma clarificação politica quem está a favor desta discriminação”.

Miguel Albuquerque admitiu ainda que os prazos dos projetos desenvolvidos ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) são “difíceis de cumprir”, estando a ser feito um esforço para garantir que tal aconteça.

Na origem deste problema, mencionou, estão questões relacionadas com a falta de mão-de-obra e do aumento dos preços das matérias-primas.

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