A Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue (Fepobades) saudou hoje o alargamento da idade dos dadores de sangue até aos 70 anos, após reunião com a tutela, considerando que pode abrandar a quebra registada nos últimos anos.
“Os dadores agora podem dar sangue até aos 70 anos”, afirmou à Lusa o presidente da Fepobades, Alberto Mota, depois de ter estado reunido com a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, acrescentando que os mais jovens passarão a ter acesso a um questionário ‘online’ para acelerar o processo de colheita.
O responsável indicou que os dadores vão começar também a receber SMS e ‘emails’ com os resultados das análises.
“Estamos a perder dadores todos os anos”, afirmou o presidente da Fepobades, lembrando que a medida representa “uma lufada de ar” e que podem ser ganhas “algumas centenas de dadores de sangue” nos próximos cinco anos.
Em Portugal, a idade para dar sangue estava situada entre os 18 e os 65 anos, mas a partir do início do ano já é permitida até aos 70.
De acordo com Alberto Mota, a Fepobades deve comunicar à tutela “casos que não aceitem dadores até aos 70 anos”.
“A secretária de Estado [da Saúde] apresentou-se com toda a disponibilidade para que se possa trabalhar e se possa dialogar ao encontro de termos sempre uma reserva de sangue estável, seja no Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), seja nos hospitais todos do país”, salientou.
A federação voltou a alertar para a falta de profissionais nos Centros de Sangue e da Transplantação (CST) do IPST do Porto, Coimbra e Lisboa.
“Continuamos a ter falta de profissionais”, lamentou Alberto Mota, explicando que o Ministério da Saúde garantiu que existem vagas autorizadas e que aguarda o seu preenchimento “o mais rapidamente possível” para evitar cancelamentos de colheitas “como tem havido no passado”.
O presidente da Fepobades alertou ainda Ana Povo para “urgência de regulamentação” do Estatuto do Dador que não é atualizado desde 2013.
“Há muitos assuntos que não são cumpridos pelas administrações hospitalares”, realçou, defendendo que as regras devem ser publicadas para garantir que “tudo o que está no estatuto seja cumprido”.
Alberto Mota recordou ainda que a federação tem alertado para normas que, apesar de estarem em vigor, não eram aplicadas.
“Desde 2015, é permitido que jovens de 17 anos acompanhados pelo tutor possam dar sangue, e só há meia dúzia de meses é que esta regra começou a ser cumprida”, lembrou, reforçando que a Fepobades estará vigilante para assegurar que a nova regra dos 70 anos “é mesmo para cumprir”.
O presidente da Fepobades disse ainda que a secretária de Estado da Saúde manifestou-se disponível para manter o diálogo e trabalhar para garantir reservas de sangue estáveis em todo o país.
Ainda assim, a federação insistiu na necessidade de horários mais alargados nos hospitais, frequentemente condicionados pela escassez de profissionais.
Apesar de o inverno e as gripes tornarem o mês de janeiro menos favorável às colheitas, Alberto Mota acredita que não haverá quebras significativas.
“Vamos trabalhar para manter a reserva estável nas várias regiões do país”, concluiu.