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Cientista alemã da Católica recebe bolsa para estudar leucemias infantis precoces

Lusa
20-01-2026 13:00h

A cientista alemã Nina Schmolka, do Centro de Investigação Biomédica da Católica, foi distinguida com uma bolsa da Organização Europeia de Biologia Molecular para instalar um laboratório que vai permitir aprofundar o estudo de leucemias infantis precoces.

Citada em comunicado hoje divulgado pela Universidade Católica Portuguesa, a investigadora refere que o seu trabalho "centra-se em compreender como as células sanguíneas se desenvolvem no embrião e de que forma este conhecimento pode ser utilizado para prevenir a transformação patológica das células do sangue e para desenvolver futuras estratégias terapêuticas".

"A formação do sangue nos adultos está relativamente bem compreendida: ocorre na medula óssea e depende de células estaminais sanguíneas. Em contraste, o desenvolvimento embrionário do sangue começa mais cedo, no saco vitelino, e ocorre inicialmente sem células estaminais clássicas", disse Nina Schmolka à Lusa.

Justificando a relevância do seu trabalho, a investigadora salientou que "estudos recentes demonstraram que a maioria das leucemias em crianças muito pequenas, incluindo bebés com menos de dois anos, tem frequentemente início antes do nascimento, durante a gravidez".

"Estas alterações precoces incluem modificações genéticas que fazem com que células sanguíneas normais se tornem cancerígenas. Como a nossa investigação analisa os processos moleculares que controlam o desenvolvimento precoce do sangue, pretendemos identificar novas vias biológicas que, no futuro, possam ser alvo de terapias para tratar a leucemia infantil", sublinhou, assinalando que "estas mesmas vias poderão também ser relevantes para determinadas formas de leucemia em adultos".

A investigação de Nina Schmolka pretende "identificar vias que, quando desreguladas, conduzem a leucemias infantis precoces" ou que possam ser aplicadas para melhorar a geração 'in vitro' de células estaminais hematopoiéticas, células presentes na medula óssea, no sangue periférico e no sangue do cordão umbilical que têm a capacidade de se transformar em todos os tipos de células do sangue, sendo por isso importantes para a regeneração do sistema sanguíneo e imunológico e para o tratamento de doenças como leucemias (cancros sanguíneos).

"Atualmente, muitos doentes dependem de transplantes de medula óssea de dadores compatíveis. No futuro, a produção de células estaminais do sangue em laboratório poderá ajudar a ultrapassar a escassez de dadores e os problemas de compatibilidade imunológica", afirmou a cientista do Centro de Investigação Biomédica da Católica.

Nina Schmolka vai receber anualmente 50 mil euros durante cinco anos e espera começar a trabalhar no novo laboratório no outono.

A bolsa atribuída pela Organização Europeia de Biologia Molecular é cofinanciada em Portugal pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (que se fundiu recentemente com a Agência Nacional de Inovação dando origem à nova Agência para a Investigação e Inovação).

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