A fundação Assistência Médica Internacional (AMI) mantém missões na Guiné-Bissau e em Timor-Leste e, de forma global, além da saúde, tem apoiado causas humanitárias relacionadas à educação, alimentação e proteção das crianças, disse à Lusa Fernando Nobre.
O primeiro projeto internacional da AMI, em 1986, ocorreu na Guiné-Bissau, sendo esta a missão "mais antiga da organização", contextualizou o fundador da entidade, Fernando Nobre.
O médico explicou à Lusa que a AMI já desenvolveu, em 40 anos, projetos em 82 países, "com um investimento total de 46 milhões de euros em missões internacionais e 76 milhões em apoio social em Portugal".
Em África, a organização já esteve em 40 países, nomeadamente em todos os PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), referiu.
Atualmente, nesse continente, a AMI está na Guiné-Bissau, no vizinho Senegal, nos Camarões e em Madagáscar, acrescentou.
Na Guiné-Bissau, "a intervenção centra-se sobretudo nas regiões de Bolama e Quinara, com apoio ao hospital local, abastecimento de água e combustível, formação em saneamento e proteção de crianças em situação de risco, incluindo as crianças talibé. O investimento acumulado no país ronda os 6,5 milhões de euros", especificou o antigo candidato à presidência da República.
No Senegal, onde a AMI atua desde 1996, já possibilitaram a construção de "cerca de uma vintena de postos de saúde e centros de saúde" e há uma ajuda direta às Organizações Não-Governamentais (ONG) locais, disse.
Já sobre Timor-Leste, Fernando Nobre recordou que a AMI foi a primeira organização humanitária internacional a entrar no território após o referendo sobre a independência, em 1999, e mantém projetos no país até hoje, com um investimento total de cerca de 3,5 milhões de euros.
"Nós atuámos em quase em todas as regiões de Timor-Leste. (...) Atualmente financiamos, no país, uma instituição religiosa, que apoia na área da educação e da formação ética, que eu acho importante. A ética é importante em todo o lado, e eu costumo dizer, sem ética qualquer um de nós vale zero", declarou.
"Em 2024, a organização recebeu uma condecoração do Estado timorense pelo trabalho desenvolvido desde a independência", salientou.
Fernando Nobre, que nasceu em Angola em 1951 e diz ter um grande carinho pelo continente africano, frisou que persistem desafios em África como "a falta de investimento sustentado na educação e na saúde, a escassa valorização dos quadros técnicos e o desvio de recursos".
Para si, mesmo as mais pequenas intervenções - equiparadas a "pequenas gotas no oceano" - podem ter um impacto profundo nas comunidades mais carenciadas.
Fernando Nobre destacou ainda o projeto Aventura Solidária, que envolve voluntários em missões na Guiné-Bissau, Senegal e Brasil. Esta iniciativa combina a reabilitação de infraestruturas com uma imersão cultural nas comunidades locais.
O fundador da AMI referiu que as pessoas podem apoiar as causas desta organização através de doações e/ou de voluntariado, quer nos centros espalhados pelo país - que incluem as regiões autónomas - quer em missões internacionais.