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Bial prevê aumentar faturação em mais 15% após acordo com a GSK

LUSA
04-03-2026 11:23h

A Bial prevê aumentar a faturação em 15% na sequência do acordo com a GlaxoSmithKline (GSK), hoje concluído, para a promoção, distribuição e venda exclusiva em Portugal de seis medicamentos para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) e asma.

“Com a integração destes novos medicamentos vamos fazer crescer o nosso portefólio em Portugal, o que, naturalmente, terá impacto no nosso volume de negócios no mercado nacional e poderá representar um crescimento na ordem dos 15% da nossa faturação total”, avançou o presidente executivo (CEO) da Bial, António Portela, em declarações à agência Lusa.

Em causa estão os medicamentos Elebrato Ellipta, Laventair Ellipta, Revinty Ellipta, Trelegy Ellipta, Anoro Ellipta e Relvar Ellipta, que a Bial passa a promover, distribuir e vender em exclusivo em Portugal no âmbito do acordo agora concluído com a GSK.

Num comunicado divulgado hoje, as farmacêuticas destacam que esta é “uma evolução de uma parceria histórica estabelecida entre as duas companhias e que, atualmente, contempla já a promoção, distribuição e venda dos medicamentos Elebrato Ellipta, Laventair Ellipta, Revinty Ellipta pela Bial”.

“Com o novo acordo, juntam-se a estes os produtos Trelegy Ellipta, Anoro Ellipta e Relvar Ellipta, com a GSK a manter-se como titular da autorização de introdução no mercado, tendo a Bial a representação local dos mesmos em Portugal”, detalham.

A transação recebeu 'luz verde' da Autoridade da Concorrência (AdC) no passado dia 04 de fevereiro.

À Lusa, o CEO da Bial salientou que este acordo “consolida uma parceria histórica de mais de 30 anos com a GSK” e é “um grande sinal de confiança nas competências da Bial em Portugal, ao partilhar um portefólio desta dimensão”.

“Este é um acordo estratégico para a Bial tendo em conta que reforça de forma clara a nossa posição na área respiratória em Portugal”, enfatizou António Portela, destacando que, ao passar a representar em exclusivo um portefólio mais alargado de medicamentos para a DPOC e para a asma, a empresa está “a consolidar a oferta terapêutica nestas áreas”.

Segundo dados avançados pela farmacêutica, em Portugal a asma afeta cerca de 7% da população e a DPOC em torno de 14% das pessoas com mais de 40 anos, "com elevado subdiagnóstico", num total na ordem dos 700.000 e um milhão de portugueses, respetivamente.

Ao reforçar o seu portefólio com “produtos inovadores e de elevada notoriedade no mercado”, a Bial acredita num novo impulso ao crescimento da empresa no mercado nacional, nomeadamente na área respiratória, que representa atualmente cerca de 13% da faturação global da farmacêutica.

“Temos vindo a afirmar a presença internacional da empresa, muito resultado da comercialização dos nossos medicamentos de investigação própria na neurologia, mas, como sempre tenho afirmado, Portugal e os doentes em Portugal são críticos para a Bial. Este é o nosso mercado base”, salienta o CEO.

Por sua vez, o diretor geral da GSK Portugal refere que este acordo é “uma transição natural” e reflexo da estratégia da empresa “de consolidação enquanto biofarmacêutica, focada nas áreas de ‘specialty’, oncologia e vacinas.

“Por outro lado, manteremos o nosso compromisso na área respiratória dando continuidade à parceria histórica com a Bial, sendo este passo uma evolução dessa relação”, enfatiza Jeroen van der Lans, citado no comunicado.

A Bial foi a primeira e é atualmente a única farmacêutica portuguesa com medicamentos de investigação própria e de patente nacional comercializados, tendo canalizado, em média, nos últimos anos, mais de 20% da sua faturação anual para Investigação & Desenvolvimento (I&D), centrada nas neurociências e nas doenças raras.

Na Europa, a Bial tem uma unidade de produção e uma unidade de I&D em Portugal (sede) e filiais em Espanha, Alemanha, Reino Unido, Itália e Suíça, estando ainda presente nos EUA e em alguns mercados emergentes.

Os produtos da Bial são comercializados em 50 países, passando também a estratégia de internacionalização da empresa pelo estabelecimento de acordos de parceria com empresas bem estabelecidas.

Questionado pela Lusa, António Portela disse contudo que, neste momento, a farmacêutica não tem “nenhuma perspetiva de novos acordos com a GSK”.

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