Profissionais de saúde moçambicanos, em greve pelo pagamento do 13.º salário na íntegra, relataram ontem comportamento atípico nas unidades sanitárias nacionais, com profissionais dentro dos edifícios hospitalares, mas "de braços cruzados".
"Fazendo avaliação do primeiro dia de greve, depois das 15:30 [13:30 em Lisboa] a adesão dos profissionais é positiva e o comportamento das unidades é atípico, pois os colegas até à hora que saí estavam lá devidamente uniformizados, porém sem produzir nada", disse à Lusa Idília Ndlhaze, porta-voz da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM).
Os profissionais de saúde moçambicanos iniciaram ontem uma greve de 30 dias, prorrogáveis, em reivindicação do pagamento completo do 13.º salário e melhores condições de trabalho no setor.
A posição surge após o anúncio, na terça-feira, da aprovação pelo Governo moçambicano do pagamento de 40% do 13.º salário aos funcionários públicos, agentes do Estado e pensionistas, nos meses de janeiro e fevereiro, uma redução face aos 50% pagos há um ano.
Segundo a representante daquela associação, que abrange cerca de 65.000 profissionais de saúde de diferentes departamentos, o cenário das paralisações também foi verificado no turno da noite, em que os profissionais encontram-se nos hospitais, "mas de braços cruzados".
"Até agora o Governo ainda não emitiu nenhum pronunciamento", concluiu.
O Presidente da APSUSM, Anselmo Muchave, relatou anteriormente à Lusa que será feita uma greve branca ou braços cruzados, em que os profissionais assinam os livros de ponto, mas não atendem os pacientes.
Além do pagamento na íntegra do 13.º salário, Muchave explicou que a paralisação visa denunciar também a desproporção entre a demanda e a oferta de profissionais de saúde nas unidades sanitárias, as condições precárias de muitos hospitais, as barreiras financeiras e de transporte no acesso a serviços médicos no país, entre outros.
Segundo o representante da APSUSM, durante a paralisação, os serviços mínimos de saúde serão assegurados por membros do Governo com formação na área.
Entre as condições imediatas para que se pare com a greve estão o pagamento do ordenado por completo e a colocação do material de trabalho nas unidades de saúde do país, além de haver a necessidade de um trabalho conjunto entre a associação e o Governo, visto que os profissionais de saúde é que têm o real controle das unidades sanitárias, disse.
A decisão do pagamento parcial dos ordenados foi tomada em reunião do Conselho de Ministros, na terça-feira, em Maputo, e “depois de uma análise meticulosa dos dados macro financeiros”, disse o secretário de Estado do Tesouro de Moçambique, Amílcar Tivane, reconhecendo a redução face ao pagamento feito em fevereiro de 2025, de 50% do 13.º salário de 2024.
O governante explicou que o primeiro grupo de funcionários enquadrados nos níveis 1 a 11 da Tabela Salarial Única, que auferem o salário mínimo, professores do ensino primário e ensino secundário geral, profissionais da saúde e outros que estão na base da pirâmide salarial vão receber parte do 13.º salário ainda em janeiro.