A Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda ativou a fase 2 do plano de contingência do Serviço de Urgência, que está “muito pressionado” pela quantidade de infeções respiratórias “em circulação” nesta altura do ano.
“Foi ativada a fase 2 do plano de contingência do Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica, do módulo de inverno. Ou seja, dada a elevada procura e necessidade de internamentos, já estamos a desmarcar as cirurgias eletivas de doentes não prioritários e deverá ser possível, a partir de hoje, desmarcar algumas consultas para deslocar médicos para ajudarem na Urgência”, disse o diretor clínico para os cuidados hospitalares, Nuno Sousa.
O médico falava aos jornalistas à margem da cerimónia de receção dos novos 27 médicos internos, realizada esta segunda-feira na ULS guardense.
Nuno Sousa acrescentou que os clínicos do serviço de Medicina Interna do Hospital Sousa Martins, na Guarda, já estão a “assegurar a observação de alguns doentes na Urgência, mesmo não estando escalados”.
“Estamos a viver o pico da gripe na nossa Urgência. Provavelmente, ele terá ocorrido este fim de semana. Esperamos que agora a procura comece a baixar, mas convém que a população tenha em atenção às formas de contágio porque, tradicionalmente, a distribuição da gripe pode ter a forma de um M, de dois picos”.
O diretor clínico para os cuidados hospitalares da ULS da Guarda apelou, por isso, aos guardenses para “não baixarem as defesas e manter em vigor a etiqueta respiratória”.
“Quem está doente deve tentar proteger-se a si e aos outros, principalmente para tentar evitar o contágio”, sublinhou.
Entretanto, a ULS guardense estabeleceu protocolos com duas instituições particulares de solidariedade social (IPSS) do distrito para garantir camas de retaguarda.
“Felizmente, foi possível protocolar camas de retaguarda na Associação de Beneficência Popular de Gouveia e na Casa de Saúde Bento Menni, na Guarda e, porventura, vamos conseguir libertar algumas camas hospitalares de doentes que estão a aguardar ingresso na rede de cuidados continuados”, revelou Nuno Sousa.
Segundo o responsável, será expectável que a situação melhore nos próximos dias nas Urgências da Guarda devido às altas hospitalares.
“É expectável que a pressão nas Urgências melhore um bocadito a partir de amanhã [terça-feira] porque ocorrerão mais altas, uma vez que muitos dos problemas que estamos a viver são resultado do que foram as festas, os feriados e o que foi este fim de semana”, indicou.
Também a presidente do Conselho de Administração da ULS da Guarda, Rita Figueiredo, apelou aos cidadãos para “deixarem para a Urgência o que efetivamente é urgente”.
“Muitas vezes as pessoas que acorrem ao Serviço de Urgência poderiam perfeitamente encontrar os melhores cuidados de saúde nos cuidados de saúde primários, que têm equipas preparadas e especializadas para dar todo o apoio”, disse.
Rita Figueiredo afirmou que os cuidados de saúde primários [Centros de Saúde] já estão a funcionar com horários prolongados porque também dão resposta à doença aguda”.
“Muitas vezes, as pessoas acabam por esperar mais tempo do que poderiam ter de esperar [nas Urgências] se fossem aos cuidados de saúde primários, e permitir que outros que precisam pudessem ser vistos em tempo útil”, constatou.
Para a presidente do Conselho de Administração da ULS da Guarda, as pessoas devem “procurar, em primeira linha, o seu centro de saúde, a sua USF [Unidade de Saúde Familiar], o seu médico de família, liguem para a Linha de Saúde 24 e, se de facto entenderem que é urgente ou não tiverem outra possibilidade, que acorram à Urgência”.