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Ministra da Saúde “passa a vida a tratar mal” os profissionais – bastonário dos Médicos

LUSA
13-01-2020 00:47h

O bastonário dos Médicos acusa a ministra da Saúde de “passar a vida a tratar mal” os profissionais e daria a Marta Temido uma classificação “muito fraca” numa avaliação de desempenho, criticando também a “moda de encerrar serviços”.

“Neste momento temos uma ministra da Saúde que, se lhe aplicássemos aquilo que aparentemente quer para os profissionais de saúde, a avaliação de desempenho e remuneração através de incentivos, passava muito mal, porque o desempenho tem sido muito fraco”, comenta Miguel Guimarães em entrevista à agência Lusa, a menos de uma semana da reeleição como candidato único para um segundo mandato como bastonário da Ordem dos Médicos.

O representante dos médicos condena o que entende como “a estratégia do Governo”, que passa por “lançar um estigma negativo sobre as pessoas que lutam verdadeiramente pelo SNS”, ao afirmar que quem aponta falhas no serviço público está a querer destruí-lo.

Além de classificar como fraco o desempenho em termos de concretização de medidas e projetos, o bastonário faz também uma avaliação negativa de Marta Temido enquanto gestora de recursos humanos.

“Tem sido muito fraco também naquilo que é a principal regra de gestão, que qualquer ministro de qualquer área deve saber gerir, que são os recursos humanos. Eu acho completamente desmotivante, e não acho que possa aceitar, que a nossa ministra passe a vida a tratar mal os seus profissionais. E especificamente os médicos. Podia dar imensos exemplos disso”, afirma Miguel Guimarães.

O bastonário optou por usar um exemplo recente, criticando o primeiro comunicado emitido pelo Ministério da Saúde aquando da agressão de uma médica em Setúbal no mês passado.

“Nem sequer falava da médica”, comenta.

Miguel Guimarães descreve a relação entre médicos e Ministério da Saúde como “uma situação complexa”, em que “a empatia entre profissionais e Ministério nunca esteve em níveis tão baixos”, pelo menos nos últimos dez a quinze anos.

“É uma relação pouco empática, isto para ser simpático. É uma relação que é complicada para o futuro da própria saúde em Portugal”, retrata, apontando a “revolta” sentida, por exemplo, pelos médicos mais novos, sobretudo com as alegadas intenções de obrigar clínicos a permanecer no SNS.

Sobre a questão da permanência de médicos formados no sistema público, é perentório: “No dia em que se obrigarem os médicos a ficar no SNS, acaba o próprio SNS”.

Apesar das críticas, o bastonário rejeita a ideia de que tenha havido mais “atividade reivindicativa” durante a governação de Marta Temido, em comparação com o seu antecessor, Adalberto Campos Fernandes.

Mas admite que uma das marcas “mais importantes” do seu primeiro mandato é a denúncia de falhas ou insuficiências e a “persistência em lutar pelo SNS”.

O agora recandidato a representante máximo da Ordem dos Médicos continua a defender que faltam no SNS 5.500 especialistas, sendo as carências ainda superiores ao que ocorria no início do seu primeiro mandato, há três anos.

Os cálculos são feitos com base nas horas extraordinárias dos médicos (perto de seis milhões de horas extra num ano) e nos mais de 100 milhões de euros pagos a empresas de prestação de serviços médicos.

“E mesmo com estas horas extraordinárias e com as prestações de serviço nós temos imensas dificuldades, com falta de profissionais”, indica o bastonário.

Apesar das contratações e do acréscimo líquido de profissionais entre 2015 e 2019, Guimarães diz que a “força de trabalho” dos médicos não cresceu. Além de mais carga de doença e de uma população envelhecida, há agora menos de um terço dos médicos em dedicação exclusiva do que em 2009 (quando deixou de existir esta possibilidade).

Acresce que dentro do número de médicos que o Governo refere como estando no SNS, pelo menos 1.700 terão horário reduzido.

“Até podemos ter mais alguns médicos. Mas temos menos força de trabalho”, resumiu.

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