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COP31: ONG quer a saúde no centro das decisões face ao impacto do clima em África

Lusa
04-11-2026 11:06h

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) pediu hoje aos líderes da COP31, em Antalya, Turquia, que coloquem a saúde no centro das decisões, perante secas, inundações e outros fenómenos climáticos que afetam comunidades vulneráveis em África.

"A crise climática é uma crise sanitária", advertiu a organização médico-humanitária num comunicado dirigido aos líderes da cimeira da ONU sobre alterações climáticas (COP31), no qual assinalou que as populações que menos contribuíram para o aquecimento global estão a suportar de forma desproporcionada as suas consequências.

"Os impactos sanitários e humanitários das alterações climáticas são reais e vão aumentar à medida que o mundo aquecer", afirmou a secretária médica internacional dos MSF, María Guevara, citada na nota de imprensa, que alertou que "cada fração de grau de aquecimento é uma questão de vida ou de morte" para muitas pessoas.

Os MSF destacaram a situação na Somália, onde quatro épocas consecutivas de chuvas insuficientes provocaram uma grave seca, deslocações de populações e perdas de colheitas que agravam a desnutrição.

A organização alertou também para os efeitos de fenómenos climáticos extremos no Sudão do Sul, onde algumas zonas sofrem secas, enquanto outras enfrentam graves inundações que destruíram colheitas e contribuíram para o aumento da desnutrição.

Em Madagáscar, os MSF assinalaram que a sucessão de ciclones, as secas prolongadas e a irregularidade das estações estão a agravar a insegurança alimentar, a favorecer a propagação de doenças como a malária e a dificultar o acesso a cuidados de saúde.

Os Médicos Sem Fronteiras exigiram, por isso, que a COP31, que se realiza de 09 a 20 de novembro em Antalya, transforme os compromissos climáticos em medidas concretas que permitam reforçar os sistemas de saúde dos países mais afetados.

A organização pediu ainda centros de saúde capazes de resistir a fenómenos extremos, fornecimento estável de água e energia, pessoal de saúde preparado e reservas suficientes de medicamentos e material médico.

Além disso, reivindicaram um aumento do financiamento climático dos países em desenvolvimento para se adaptarem às alterações climáticas e que os novos recursos não provenham de orçamentos de ajuda já existentes, mas cheguem diretamente às nações que sofrem os maiores impactos.

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