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ULS Gaia/Espinho em projeto que testará rastreio mais sustentável do cancro do pulmão

Lusa
04-11-2026 09:10h

A Unidade Local de Saúde Gaia/Espinho (ULSGE), cujo programa de rastreio do cancro do pulmão permitiu evitar 12 mortes no último ano, prepara-se agora para “testar” um novo modelo que poderá garantir mais acesso e reduzir custos.

O projeto chama-se TIME4LUNG, é liderado pela 'startup' portuguesa iLoF (Intelligent Lab on Fiber), e, além da ULSGE, participam outras entidades como a Universidade de Aveiro e o Centro Académico Clínico Egas Moniz Health Alliance (EMHA).

“É muito difícil [o modelo atual] ser sustentável e alcançar uma implementação equitativa no território português, dado que não há recursos tecnológicos e humanos suficientes para poder alargar a toda a população elegível”, disse à Lusa o diretor da Unidade de Gestão de Planeamento, Inovação e Saúde das Populações da ULSGE.

Destacando que o grande objetivo do TIME4LUNG é “democratizar o acesso ao programa de rastreio”, Firmino Machado explicou que “o projeto pretende demonstrar que é possível implementar um programa de rastreio do cancro do pulmão em duas etapas, minimizando a complexidade e a morosidade para o doente e, simultaneamente, reduzindo os custos para as instituições”.

A Comissão Europeia recomendou, em 2022, aos seus Estados-Membros que iniciassem projetos-piloto de rastreio do cancro do pulmão associados a programas de cessação tabágica. Em Portugal o tema está em cima da mesa há várias legislaturas, discutindo-se, atualmente a metodologia a adotar.

Até aqui, considerou-se que o teste mais eficaz para detetar o cancro do pulmão numa fase precoce é uma tomografia computadorizada torácica (TAC) de baixa dose (TAC normal com menos dose de radiação).

Posteriormente, há necessidade de articulação com o Serviço Nacional de Saúde para acesso ao tratamento de todos os achados no exame.

A ULSGE iniciou em setembro do ano passado um programa de rastreio ao cancro do pulmão naturalmente confinado à população elegível dos concelhos de Vila Nova de Gaia e Espinho.

Dados recolhidos até 29 de setembro deste ano indicam que foram 1.138 utentes considerados elegíveis. Desses, 1.083 foram efetivamente rastreados. Os restantes não terão comparecido à convocatória.

“Identificámos 12 pessoas sem qualquer sintoma e que tinham um cancro do pulmão. Provavelmente iriam acabar por morrer de cancro do pulmão, porque já iriam ser diagnosticados numa fase muito avançada, sem qualquer tipo de capacidade terapêutica”, avançou à Lusa Firmino Machado, antecipando porque a ULS Gaia Espinho decidiu juntar-se ao consórcio que agora pretende testar um novo modelo para o rastreio.

“Deparámo-nos com uma responsabilidade como centro pioneiro de implementação do programa de rastreio (…)”, referiu.

Com o TIME4LUNG, vai testar-se um modelo de rastreio em duas etapas. A primeira consistirá em tirar um pouco de sangue e fazer uma técnica que se chama optómica. A segunda etapa é o TAC, mas este só se realizará se a optómica remeter para um resultado positivo, ou seja detetar risco de cancro do pulmão.

“Isto significa que só faríamos o rastreio do cancro do pulmão clássico com o TAC de baixa dose, ou seja, só se exporia a radiação, os utentes que testassem positivo na avaliação inicial ao sangue”, referiu.

Já na descrição técnica do projeto lê-se que “com recurso à tecnologia Optomics e à inteligência artificial, será procurada uma assinatura biológica que ajude a prever a probabilidade de a pessoa apresentar um resultado positivo numa tomografia computorizada de rastreio”.

São vantagens a redução dos custos de implementação do programa de rastreio, maior sustentabilidade financeira, maior difusão no território nacional e menor exposição de todos os rastreados à radiação das TAC.

Com a duração de três anos, este projeto está ainda em fase de recrutamento da equipa, de criação da máquina que vai analisar o sangue e requer que haja utentes que estejam disponíveis para doar um tubo de sangue para esta investigação.

“Se tudo correr como planeado, espera-se que ao fim de três anos esta inovação possa ser transferida para a prática clínica”, disse Firmino Machado.

O projeto dispõe de um investimento global de 8,7 milhões de euros, com um incentivo financeiro de 6,66 milhões de euros, atribuído no âmbito do Portugal 2030/Compete 2030.

A participação conjunta da ULSGE e da Universidade de Aveiro representa um financiamento de 1,8 milhões de euros.

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