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Renamo pede investigação ao incêndio no único centro de oncologia de Moçambique

LUSA
02-11-2026 09:10h

A Renamo exigiu hoje uma investigação rigorosa e independente ao incêndio que destruiu o serviço de oncologia do Hospital Central de Maputo, único em Moçambique, pedindo ao chefe de Estado para cancelar viagens e canalizar recursos à reabilitação.

“A Renamo exige uma investigação rigorosa, independente e transparente para apurar as verdadeiras causas do incêndio, identificar eventuais falhas de segurança ou negligência e garantir a responsabilização de todos aqueles cuja conduta ou omissão tenha contribuído para esta tragédia. O povo moçambicano merece respostas claras e não apenas promessas”, lê-se num comunicado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), divulgado hoje.

Um incêndio deflagrou durante a manhã de domingo no interior do edifício de Oncologia do Hospital Central de Maputo (HCM) e afetou o único centro de tratamento oncológico em Moçambique, na altura com 22 pacientes, que foram retirados a tempo.

Face à destruição, o partido Renamo pediu o uso de recursos públicos para assegurar o tratamento aos doentes.

“Apelamos igualmente ao chefe do Estado para que cancele as viagens oficiais que não tragam benefícios concretos e prioritários para o país, canalizando os recursos que possam ser poupados para a recuperação daquela unidade hospitalar e para os doentes”, apela-se no documento, com o partido a pedir ao Governo a mobilização rápida de recursos para reabilitar a infraestrutura.

Já o partido Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos), líder da oposição desde as eleições gerais de 2024, pediu às autoridades para que garantam assistência médica aos pacientes afetados de forma imediata e sem interrupções.

“Ao mesmo tempo, apelamos às autoridades competentes para que sejam rapidamente apuradas as causas e as circunstâncias em que ocorreu o incêndio, com transparência e rigor, e para que sejam tomadas as medidas necessárias à prevenção de situações semelhantes”, lê-se no comunicado do Podemos.

A Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder desde 1975) na cidade de Maputo já mobilizou produtos de primeira necessidade e materiais de apoio hospitalar, destinados a minimizar as dificuldades enfrentadas pelos pacientes e pela unidade sanitária.

Na entrega dos materiais, a direção do partido disse que está a mobilizar os seus membros e simpatizantes para reforçar o apoio ao Hospital, tendo anunciado que estão previstas novas ações de solidariedade em prol dos pacientes igualmente afetados.

Também o partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola) elogiou os esforços do Governo para salvar vidas durante o incêndio, e pediu às autoridades para continuarem a garantir assistência médica, mesmo perante a destruição de parte da infraestrutura.

"O Anamola reafirma que a saúde pública e a dignidade humana devem estar no centro de qualquer governação (...) Tratando-se de uma infraestrutura nova construída com recursos do erário público, exigimos das autoridades total transparência na investigação e no apuramento das reais causas que estiveram na origem deste incêndio", lê-se na nota do partido.

O Governo moçambicano criou uma unidade de apoio a doentes oncológicos, após o incêndio, para acolher doentes que necessitam de internamento e os que fazem tratamento ambulatório, que se deslocam ao hospital para receber cuidados e regressam a casa no mesmo dia.

Foi também criado um gabinete de atendimento, cujos contactos serão divulgados posteriormente, anunciou o ministro da Saúde, Ussene Isse.

Durante o incêndio, a intervenção dos bombeiros impediu que as chamas se propagassem a outras áreas, nomeadamente ao piso térreo, onde funciona o serviço de radioterapia. 

O fogo não atingiu a parte inferior do abrigo subterrâneo onde se encontra o acelerador linear, mas os equipamentos de radioterapia são sensíveis ao calor e à energia, pelo que os danos continuam a ser avaliados por peritos.

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