O Governo moçambicano criou uma unidade de apoio a doentes oncológicos no Hospital Central de Maputo, a maior unidade sanitária do país, após um incêndio que afetou 22 pacientes, dos quais 12 tiveram alta e 10 continuam internados.
A nova unidade vai acolher doentes que necessitam de internamento e os que fazem tratamento ambulatório, que se deslocam ao hospital para receber cuidados e regressam a casa no mesmo dia. Foi também criado um gabinete de atendimento, cujos contactos serão divulgados posteriormente, anunciou hoje o ministro da Saúde, Ussene Isse.
“Os nossos 22 doentes estão bem. 12 dos 22 doentes tiveram esta manhã alta. Temos, neste momento, 10 doentes internados”, afirmou Isse em conferência de imprensa, acrescentando que os pacientes recebem assistência médica e psicológica.
O incêndio deflagrou durante a manhã no interior do edifício de Oncologia do Hospital Central de Maputo (HCM) e afetou o único centro de tratamento oncológico em Moçambique, destruindo a parte superior da infraestrutura.
A intervenção dos bombeiros impediu que as chamas se propagassem a outras áreas, nomeadamente ao piso térreo, onde funciona o serviço de radioterapia. O ministro considerou o incêndio um “grande retrocesso” para o país, que procura ampliar a cobertura dos serviços de tratamento do cancro.
Segundo Isse, uma cápsula de cobalto utilizada no tratamento oncológico foi retirada em segurança com o apoio da Agência Nacional de Energia Atómica e está devidamente guardada. As medições efetuadas na área de radioterapia não detetaram radiação, afirmou, afastando riscos de contaminação.
O fogo não atingiu a parte inferior do abrigo subterrâneo onde se encontra o acelerador linear, mas os equipamentos de radioterapia são sensíveis ao calor e à energia, pelo que os danos continuam a ser avaliados por peritos.
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou, numa publicação na rede social X, que o Governo acompanhou a ocorrência desde os primeiros momentos, em contacto com o ministro da Saúde, e agradeceu às equipas de saúde, aos bombeiros, aos peritos da Agência Nacional de Energia Atómica e aos trabalhadores envolvidos na resposta.
Chapo agradeceu também à população pelas manifestações de solidariedade e apoio aos doentes, afirmando que “cada gesto de solidariedade é importante”. O Presidente disse que o incêndio foi extinto e que a avaliação técnica permitirá determinar a dimensão dos danos e as condições de reutilização dos equipamentos.
Durante a resposta ao incêndio, populares retiraram 30 botijas de gás e mais de 12 viaturas estacionadas junto da Faculdade de Medicina, segundo o ministro, que considerou que a intervenção evitou que fossem atingidas pelas chamas.
A primeira-ministra, Benvinda Levi, e a primeira-dama, Gueta Chapo, também apelaram à solidariedade para apoiar a recuperação dos serviços afetados. As autoridades ainda não divulgaram uma estimativa dos prejuízos nem as causas do incêndio, que serão investigadas.
Isse pediu à população que acompanhe as informações divulgadas pelas autoridades e evite rumores, enquanto o Governo trabalha para restabelecer os serviços e garantir a continuidade dos tratamentos oncológicos.