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Opositores à mina de lítio repetem bloqueio aos trabalhos da Savannah em Boticas

LUSA
27-10-2026 09:17h

Cerca de 30 pessoas que se opõem à extração de lítio em Covas do Barroso, Boticas, repetem hoje um bloqueio aos trabalhos realizados pela Savannah numa das áreas da servidão administrativa.

“Estamos a fazer um novo bloqueio, dissemos que não íamos parar e não vamos parar, nada nos vai desmobilizar da nossa luta, vamos continuar a defender a nossa aldeia com dignidade, que é aquilo que queremos, é esta forma de vida que queremos continuar a levar e é isso que vamos defender”, afirmou à agência Lusa o presidente da Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB), Nélson Gomes.

Pelas 06:00, cerca de 30 pessoas juntaram-se nos terrenos assinalados para os trabalhos de sondagem da Savannah Resources e formaram um cordão humano em frente a uma máquina de prospeção, procurando travar o avanço dos trabalhos.

Com a chegada dos seguranças da empresa ao local, foi também chamada a GNR.

“Não queremos uma mina à porta das nossas casas”, frisou Nélson Gomes.

“Numa altura que tanto se fala da habitação, é precisamente também a nossa casa que está em risco, é a nossa habitação porque ter uma mina à porta de casa, corremos o risco de um dia ter que sair das nossas casas e ser obrigados a abandonar a aldeia, coisa que não queremos”, acrescentou.

Já no dia 09 de outubro, a associação interrompeu os trabalhos da empresa, com a GNR a identificar 27 opositores à mina de lítio, que a Savannah quer explorar na zona de Covas do Barroso.

“Estamos em terrenos de baldios, terrenos esses onde nós já tivemos projetos de intervenção, quer dizer, fomos incentivados a preservar a floresta, a fazer investimento na floresta e agora aquilo que estamos a ver é que as máquinas entram, fazem decapação, cortam pinheiros, cortam árvores, fazem a mobilização do solo como se vê, só deixam pedras à vista e é isto que nós não queremos”, referiu ainda o responsável.

Em maio, o Ministério do Ambiente autorizou uma segunda servidão administrativa, que permite à Savannah entrar em terrenos comunitários e privados para trabalhos de geotecnia, a qual foi contestada em tribunal através de uma providência cautelar interposta pelo Conselho Diretivo dos Baldios da Freguesia de Covas do Barroso, que levou à suspensão das prospeções por cerca de 20 dias.

Paulo Pires, pastor de Romainho, referiu que esta “luta é também pela defesa do modo de vida da comunidade”.

“Esta luta também é pela defesa da nossa casa, que é a nossa aldeia. Ninguém quer viver a 200 metros de uma mina a céu aberto (…).Trabalhámos a vida toda para termos os terrenos e o gado que temos. E agora é o nosso próprio Governo que nos quer tirar isso à força. Não aceitamos”.

Para a presidente da Junta de Covas do Barroso, Rita Mó, o bloqueio é também um protesto contra a atuação da União Europeia (UE).

“Temos de recorrer a este bloqueio porque esgotámos todas as outras opções. De cima só vêm ordens, e nenhuma abertura para escutar a população. Temos por exemplo uma UE que se vangloria constantemente de representar o continente dos direitos. Para quem? Onde se vê essa Europa dos direitos, quando as suas populações rurais são assim tratadas como descartáveis? Quando somos ameaçadas de uma expropriação em massa dos nossos terrenos”, questionou.

Considerando que é “a própria Comissão Europeia que promove um projeto de mineração que não só é um atentado ambiental, como vai contra a expressa vontade das populações locais”.

“É preciso lembrar que, à boleia deste projeto, esta comunidade vive com câmaras de vigilância e segurança privada instaladas na aldeia. É um abuso”, referiu a autarca.

Nélson Gomes garantiu que os bloqueios vão continuar “enquanto for preciso”.

O projeto mineiro foi viabilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em 2023.

A empresa Savannah quer iniciar a construção em 2027 e alcançar a primeira produção em 2028.

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