Moçambique prevê evitar cerca de 30 mil mortes até 2030 com a implementação do Roteiro de Investimento Estratégico do Plano Nacional de Adaptação Climática da Saúde, orçado em 209,3 milhões de euros, lançado hoje em Maputo.
"O roteiro de investimento que hoje aqui lançamos é um compromisso da liderança e da agenda nacional. É uma expressão de responsabilidade partilhada com vista a projetar um sistema de saúde resiliente e preparado para enfrentar os desafios climáticos", afirmou o ministro da Saúde, Ussene Isse, na abertura da terceira Conferência sobre o Impacto das Mudanças Climáticas na Saúde.
Segundo o governante, o roteiro operacionaliza o Plano Nacional de Adaptação do Setor da Saúde às Mudanças Climáticas (PNAS-MC) 2025-2030, lançado em fevereiro, e pretende introduzir mecanismos inovadores de mobilização de financiamento para reforçar a capacidade de adaptação do setor aos impactos das alterações climáticas.
O PNAS-MC 2025-2030 tem como objetivo reduzir vulnerabilidades, reforçar a resiliência dos serviços de saúde e garantir que a adaptação climática esteja integrada nas políticas e instrumentos nacionais de planificação e financiamento, promovendo simultaneamente sistemas de saúde ambientalmente sustentáveis e de baixo carbono.
O plano está avaliado em 235 milhões de dólares (209,3 milhões de euros) e prevê ser financiado através da integração progressiva dos investimentos no Orçamento do Estado para o setor da saúde e da diversificação das fontes de financiamento.
De acordo com Ussene Isse, a implementação do roteiro permitirá evitar cerca de 30 mil mortes, além de assegurar a continuidade dos serviços de saúde, melhorar a capacidade de resposta a surtos e reforçar a confiança no Sistema Nacional de Saúde.
"Este é o instrumento que, nos próximos cinco anos, Moçambique e os seus parceiros nacionais e internacionais implementarão, estabelecendo responsabilidades claras sobre quem governa, quem financia e com que impacto e benefício", declarou.
A conferência reúne especialistas do setor da saúde, incluindo representantes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), para debater os impactos das alterações climáticas na saúde pública.
Durante a intervenção, o ministro anunciou igualmente a integração de Moçambique na Rede Global de Laboratórios Supranacionais de Tuberculose da OMS.
"Esta designação representa um reconhecimento internacional de excelência técnico-científica na área do diagnóstico da tuberculose. Moçambique passa a assumir uma responsabilidade acrescida na prestação de apoio técnico especializado a outros países", afirmou.
Segundo Ussene Isse, o reconhecimento representa um avanço para África, que passa a contar com mais laboratórios integrados naquela rede internacional.
O ministro considerou que a distinção reforça o papel do Instituto Nacional de Saúde (INS) na produção de conhecimento científico e na resposta aos desafios sanitários.
Na intervenção, recordou ainda os impactos das alterações climáticas registados na última década, incluindo ciclones, cheias e secas, defendendo uma ação coordenada para reforçar a resiliência do sistema de saúde.
"Se não agirmos de forma enérgica e urgente para assegurar a adaptação e a resiliência climática do sistema de saúde a nível global e nacional, o nosso futuro poderá ser sombrio", alertou.
Moçambique enfrenta ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, além de períodos de seca severa, sendo considerado um dos países mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas.