O presidente da Câmara de Nova Iorque anunciou a divulgação de dezenas de milhares de documentos sobre o 11 de Setembro que revelam, segundo o autarca, que a cidade ocultou informações sobre a toxicidade do ar após os ataques.
"Estes documentos mostram o que a cidade sabia sobre a presença de ar tóxico em redor do Ground Zero, quando tomou conhecimento disso e como agiu para limitar a sua responsabilidade legal", destacou hoje Zohran Mamdani durante uma conferência de imprensa.
Esta divulgação 'online' surge após um acordo judicial com a 9/11 Health Watch, um grupo de defesa das vítimas que tinha recorrido aos tribunais para obrigar a cidade a tornar pública a informação que detinha.
Além das 2.977 pessoas que morreram nos Estados Unidos no dia dos ataques de 11 de Setembro, sobretudo em Nova Iorque, mais de 9.400 outras morreram devido a doenças ligadas à exposição às consequências dos ataques, segundo o programa federal criado para prestar acompanhamento médico a estas pessoas.
Após a nuvem de poeira inicial causada pelo colapso das torres do World Trade Center, seguiram-se meses de poluição e poeira residual, levando a condições como o cancro, doenças de que milhares de nova-iorquinos ainda hoje sofrem.
"As pessoas adoeceram porque os líderes em quem confiavam lhes mentiram, dizendo que era seguro respirar o ar tóxico", salientou Zohran Mamdani.
Estes documentos, que serão divulgados 'online' em lotes ao longo dos próximos 12 meses, poderão comprometer dois dos seus antecessores, Rudy Giuliani, que estava em funções na altura dos ataques, e Michael Bloomberg, que assumiu o cargo no Inverno de 2002.
Alguns dos 173 mil documentos divulgados hoje dizem respeito a "discussões que a administração Giuliani mantinha na altura sobre responsabilidade jurídica e riscos para a saúde", explicou Steven Banks, procurador-chefe da cidade de Nova Iorque, durante a conferência de imprensa.
Um outro documento destaca "informações fornecidas pelo deputado Jerry Nadler" durante a gestão de Michael Bloomberg "sobre as preocupações dos residentes de Lower Manhattan" em relação à qualidade do ar que respiravam.
Quando lhe foi pedido que mencionasse os nomes dos políticos que tinham omitido informações do público, Zohran Mamdani evitou a pergunta, referindo apenas que "isto envolve um grande número de pessoas em quem os nova-iorquinos confiavam".
"O que todos sabíamos — aqueles de nós que viviam em Lower Manhattan — era que havia substâncias tóxicas no ar e no solo, nos parapeitos das janelas e nos aparelhos de ar condicionado (...) e que tinham permanecido lá durante meses", frisou o comediante Jon Stewart, um importante defensor das vítimas do 11 de Setembro.
Ben Chevat, diretor da associação 9/11 Health Watch, agradeceu a Zohran Mamdani por ter sido "a primeira autoridade em 25 anos a começar finalmente a abordar a questão".
Em 11 de Setembro de 2001, dois aviões desviados por terroristas atingiram as torres gémeas do World Trade Center, um terceiro embateu contra o Pentágono e um quarto, aparentemente tendo como alvo o Capitólio ou a Casa Branca, despenhou-se numa zona arborizada perto de Shanksville, na Pensilvânia, após uma reação dos passageiros.