O PCP exigiu hoje esclarecimentos sobre a reorganização da Unidade de Oncologia do hospital de Portalegre, argumentando que as explicações apresentadas pela Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo “não são compatíveis” com a atividade assistencial.
Em comunicado, a Direção da Organização Regional de Portalegre (DORPOR) do PCP considerou que as explicações da ULS Alto Alentejo sobre esta matéria são “cada vez mais inconsistentes”.
Segundo o PCP, depois de a administração da ULS do Alto Alentejo ter negado qualquer redução da resposta aos doentes e afirmado que a contratação de um novo oncologista visa reforçar o serviço, “verifica-se agora” que o período de consultas assegurado pelo atual oncologista “foi reduzido para cerca de metade” da atividade que desenvolvia até agosto.
Em comunicado, divulgado na passada quinta-feira, a ULS do Alto Alentejo disse rejeitar “qualquer interpretação” que aponte para uma diminuição da resposta aos utentes na Unidade de Oncologia do Hospital Dr. José Maria Grande, em Portalegre, e garantiu que o serviço vai ser reforçado.
Na ocasião, o conselho de administração da ULS afiançou que a resposta assistencial na área da oncologia “não será reduzida”, estando, pelo contrário, “em preparação um conjunto de medidas” destinado ao seu “reforço e desenvolvimento”.
A ULS do Alto Alentejo afirmou ainda que tem trabalhado na “consolidação da capacidade assistencial” da unidade de oncologia, “prevendo o reforço” de recursos humanos diferenciados e a “melhoria das condições infraestruturais e organizacionais” necessárias para responder de forma cada vez mais eficaz.
Já a DORPOR do PCP, no comunicado de hoje, argumentou que as medidas da ULS representam uma redução objetiva da capacidade assistencial e contradizem o discurso de reforço da resposta.
O partido questionou, por isso, quais as razões concretas que levaram à alteração do modelo existente, cujos “resultados clínicos encontravam-se ao nível dos melhores do país”.
“Não existiam queixas relevantes quanto ao seu funcionamento e a mobilização espontânea de centenas de cidadãos em sua defesa demonstra a confiança que os utentes depositavam neste serviço”, frisou.
O PCP denunciou ainda que o serviço de ortopedia “continua sem conseguir assegurar regularmente” a escala de urgência, pelo que funciona “apenas em parte dos dias da semana”, enquanto a maternidade “mantém constrangimentos” que obrigam grávidas a serem encaminhadas para outras unidades hospitalares.
“Perante este cenário, é legítimo perguntar por que razão o conselho de administração escolheu concentrar esforços precisamente num dos serviços que melhores resultados apresentava”, indagou a DORPOR.
Também o PS, no dia 01 deste mês, questionou o Governo sobre as “alterações que estão a ser preparadas” na Unidade de Oncologia do hospital de Portalegre e exigiu saber quais os “fundamentos clínicos, técnicos e assistenciais” que sustentam a decisão.
As preocupações constam de uma pergunta subscrita por sete deputados socialistas, entre os quais Luís Moreira Testa, eleito pelo círculo eleitoral de Portalegre, e entregue no parlamento, dirigida à ministra da Saúde, Ana Paula Martins.
Na pergunta, consultada pela agência Lusa, o PS referiu que “têm sido sinalizadas alterações na organização e na prestação de cuidados de saúde oncológicos” na ULS do Alto Alentejo.
Estas mudanças suscitam “preocupação” quanto aos “eventuais impactos na capacidade instalada e na continuidade da resposta atualmente assegurada” na Oncologia do hospital de Portalegre, disseram os parlamentares socialistas.
Também a Federação Distrital de Portalegre do PS, num comunicado divulgado na quarta-feira, alertou para uma possível reestruturação do serviço de oncologia do hospital.