Angola estreou-se hoje nas cirurgias robóticas renais, realizadas por uma equipa de médicos nacionais, sob supervisão de um cirurgião robótico brasileiro, que prevê operar até sexta-feira 13 pacientes, divulgaram as autoridades sanitárias angolanas.
Pinto Kafumana, 52 anos, foi o primeiro paciente a ser operado, no Complexo Hospitalar Cardeal Dom Alexandre do Nascimento (CHDCP), em Luanda, após dois anos a sofrer devido a um problema renal.
“Tive problema de hematúria, urinava sangue, fiz a consulta e fui diagnosticado com um tumor renal”, contou Pinto Kafumana, após a cirurgia.
Segundo relatou, antes tinha recorrido à vizinha República da Namíbia à procura de tratamento, mas os elevados custos fizeram-no regressar ao país, agradecendo ao chefe de Estado angolano pelo investimento nesta infraestrutura.
A equipa de médicos tem à frente Oséas Neves, urologista e cirurgião robótico brasileiro, que destacou as vantagens destas cirurgias, nomeadamente menos sangramento e dor, e o retorno do paciente às suas atividades mais rapidamente.
“A primeira cirurgia ocorreu sem problema nenhum, o tempo cirúrgico foi pequeno, foi rápido, o paciente tinha um tumor no rim direito e graças a Deus correu tudo conforme planeado, o paciente está bem, está a ter uma boa evolução”, referiu.
Na sua terceira missão a Angola, o médico classificou como “um marco muito importante a cirurgia robótica em Angola”, por ser um procedimento cirúrgico rápido, “agora com uma equipa local”.
Oséas Neves sublinhou que as principais causas das cirurgias renais são o cancro, a perda de função do rim, por pedras nos rins, infeções, quistos renais volumosos, estando prevista para esta campanha a operação de quistos acima de 10 e 15 centímetros.
Por sua vez, Feliciano Direito, médico urologista há 14 anos, realçou que estão em formação 15 cirurgiões robóticos, nas especialidades de cirurgia geral, ginecologia e urologia.
“Aos poucos vamos engrenando, é um processo, é uma inovação, já estamos a fazer as cirurgias, mas com a supervisão da equipa do doutor Oseas”, sublinhou, acrescentado que os problemas renais em Angola são preocupantes.
“São várias as patologias que podem comprometer os rins, fundamentalmente os tumores, os quistos, os cálculos renais, que são as pedras nos rins, e múltiplas situações que podem acometer o rim”, disse.
Aos pacientes, o médico angolano apelou que “confiem na equipa angolana”, porque a cirurgia robótica é uma realidade em Angola.
“Antigamente para ter acesso a uma cirurgia do género era necessário viajar, gastar vários recursos, hoje, o nosso Governo, o Ministério da Saúde, já colocou o sistema de cirurgia a funcionar, que confiem, é uma realidade”, enfatizou.
Políneo Paxi, médico urologista, realçou que já foram realizadas outras campanhas e que “as equipas angolanas estão a adquirir independência”.
“O exemplo é o que se viu nas últimas cirurgias, tanto da ginecologia, que decorreram até domingo, assim como as de urologia, que estão a decorrer agora, já estão a ser feitas essencialmente por equipas nacionais”, vincou.
Esta é a 8.ª Campanha de Cirurgias Robóticas, que já contabiliza 145 procedimentos e 15 médicos cirurgiões angolanos capacitados, num programa que teve início em agosto de 2024.
A iniciativa integra a estratégia de modernização dos cuidados de saúde, introdução de tecnologias diferenciadas e fortalecimento progressivo das competências dos profissionais angolanos, aponta, numa nota, o Ministério da Saúde.