O diretor-executivo do SNS, Álvaro Almeida, reconheceu hoje que os problemas estruturais no Amadora-Sintra não vão ficar resolvidos a curto prazo e considerou inaceitáveis os tempos de espera nas urgências daquele hospital.
“Os problemas estão a diminuir (…) em termos de tempos de espera, os tempos de espera médios estão abaixo dos do ano passado e muito abaixo de há dois anos e há três. O facto dos tempos médios estarem abaixo, não significa que não continuem elevados. Eram muito elevados, São menos elevados, mas continuam elevados, sobretudo em algumas unidades, onde há problemas sérios, como o Hospital Fernando da Fonseca, que se conhece, aqueles tempos de espera são inaceitáveis”, disse Álvaro Almeida.
Em Matosinhos, no distrito do Porto, onde visitou a Unidade Local de Saúde (ULS) local, o diretor-executivo admitiu que há neste momento três hospitais que enfrentam maiores problemas: Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra), Barreiro e Santa Maria, em Lisboa.
“A situação no Fernando da Fonseca é uma situação estrutural. Porque não é só a questão de falta de médicos e falta de enfermeiros (…). O Fernando da Fonseca está subdimensionado para a população que serve. Por outro, há uma grande percentagem da população da ULS Amadora-Sintra que não tem médico de família e, portanto, não tem acesso a cuidados de saúde primários e a urgência passa a ser a porta de entrada no sistema”, analisou para concluir que as soluções não serão imediatas.
“Os problemas estruturais do Fernando da Fonseca podem ser resolvidos de várias formas, nenhuma delas no curto prazo”, afirmou.
Apontando que esta ULS tem um novo conselho de administração, Álvaro Almeida disse esperar que este “consiga estabilizar e reforçar as equipas, reorganizar o serviço de urgência e, dessa forma, minimizar o problema”.
Questionado sobre se as soluções poderão passar pelo reforço de equipas com recurso ao Hospital de Sintra, o diretor-geral disse que “está tudo em aberto” e que, “a nível mais central” está a ser ponderada a reorganização das redes de referenciação e das áreas de influência para “conseguir equilibrar a carga assistencial das várias unidades”.
“Estamos a introduzir um conjunto de alterações que no seu conjunto vão contribuir para minimizar o problema mas tratando-se de problemas estruturais certamente que eles não vão desaparecer de um dia”, referiu.
Na quarta-feira de manhã, o tempo de espera para primeira observação de doentes urgentes no Hospital Amadora-Sintra era de quase 11 horas, segundo o portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Segundo os dados disponíveis no portal, pelas 08:45 de hoje, na urgência geral do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca os doentes classificados como urgentes (com pulseira amarela atribuída na triagem) tinham um tempo de espera de 10 horas e 52 minutos para a primeira observação por um médico.
Segundo o sistema de triagem, as situações muito urgentes (pulseira laranja) têm um atendimento recomendado nos 10 minutos seguintes à triagem, enquanto os casos urgentes (amarela) não deveriam aguardar mais de 60 minutos. Nos pouco urgentes (pulseira verde) o tempo recomendado é de 120 minutos.
Antes, questionado sobre os constrangimentos no Hospital Garcia de Orta (ULS Almada-Seixal), Álvaro Almeida rejeitou que o novo modelo de urgência regional de obstetrícia esteja a falhar.
“O modelo não está a falhar, pelo contrário, porque aquilo que acabou de descrever são duas situações em que as urgências estão a funcionar, estão a receber os doentes urgentes, só não estão com as portas totalmente abertas. Antes as urgências estavam fechadas e, portanto, não respondiam. Neste momento respondem, não respondem da forma ideal, mas respondem aos casos mais urgentes”, disse.
Para Álvaro Almeida as urgências regionais vieram dar uma “garantia de estabilidade”: “Uma garantia de que, neste caso, as mulheres tenham resposta quando efetivamente precisam, coisa que não acontecia antes”, concluiu.