A doença de Newcastle foi já confirmada em aves selvagens em quatro ilhas nos Açores, revelou hoje o diretor regional da Agricultura, Veterinária e Alimentação, acrescentando que até ao momento não foi detetada em aves de capoeira.
“Neste momento, a doença de Newcastle está confirmada em aves selvagens em quatro ilhas: São Miguel, Terceira, Graciosa e Pico. As aves afetadas são pombos-da-rocha e rolas turcas. Até ao momento, não foram detetados focos da doença em explorações avícolas da região”, afirmou o diretor regional da Agricultura, Veterinária e Alimentação, Luís Estrela, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
Na semana passada, numa resposta a um requerimento do Bloco de Esquerda, o Governo Regional revelou que a doença já tinha sido identificada em aves selvagens em seis ilhas no arquipélago, mas no dia seguinte corrigiu a informação, alegando que o vírus só tinha sido identificado nas ilhas Terceira e Graciosa.
Questionado sobre a contradição nas informações transmitidas, Luís Estrela disse que há registos da mesma sintomatologia em aves selvagens em seis ilhas, mas até ao momento o diagnóstico não foi confirmado laboratorialmente nas ilhas do Faial e Santa Maria.
“Nós tivemos registos da mesma sintomatologia nestas seis ilhas. Numa primeira fase, conseguimos confirmar laboratorialmente na Terceira e na Graciosa, sendo que em São Miguel e Pico só recentemente recebemos estes dados, pelo que só nos é possível afirmar cabalmente que o vírus está presente, por confirmação laboratorial, nestas quatro ilhas”, justificou.
Segundo o diretor regional, o executivo açoriano está a aguardar pelos resultados de análises feitas no laboratório do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), mas já adquiriu material para diagnosticar a doença na região.
“Nós adquirimos um 'kit' que nos permite fazer o diagnóstico cá, no nosso laboratório. Deve chegar esta semana e, a partir desta semana, ou da próxima, vamos conseguir fazer o diagnóstico para a doença Newcastle no Laboratório Regional de Veterinária”, adiantou.
Luís Estrela salientou que a principal preocupação do executivo açoriano é evitar que o vírus seja transmitido a aves de capoeira.
O diretor regional assegurou que são feitas análises periódicas a estas aves e que até ao momento não foi detetada a doença de Newcastle.
“Desde a primeira hora, fizemos uma série de recomendações a estas explorações avícolas e grande parte destas explorações têm elas próprias acompanhamento veterinário. As recomendações estão a ser implementadas e até agora nós não temos nenhum reporte de positividade em nenhuma destas explorações”, apontou.
Questionado sobre a introdução deste vírus nos Açores, Luís Estrela disse que ainda está a decorrer o estudo epidemiológico.
“À data, não podemos afirmar com certeza o que é. Pode ser alguma ave selvagem que tenha chegado cá, porque circula nessas aves e não em aves de capoeira”, adiantou.
O diretor regional afastou a hipótese de o aumento de mortalidade de aves selvagens estar relacionado com situações de envenenamento.
“Aquilo que podemos afirmar é que a doença de Newcastle, que não havia cá, apareceu cá e instalou-se cá através de aves selvagens. E a grande mortalidade que nós temos registado em certas ilhas é devido à doença de Newcastle. Todas os exames que temos feito, quer cá, quer no INIAV, o que nos permite concluir é que até à data tem sido Newcastle”, declarou.
Segundo Luís Estrela, “a primeira notificação formal de mortalidade anormal de aves selvagens foi recebida nos primeiros dias de julho”.
Desde então, já foram feitos “134 registos em nove freguesias, entre análises laboratoriais e relatórios de necropsia”, dos quais 17 confirmaram a presença do vírus da doença de Newcastle.
Está a ser feita também a pesquisa para a gripe aviária, “sem qualquer resultado positivo até ao momento”.
O diretor regional reiterou que o risco para a população é “muito reduzido” e que “a infeção humana é rara e está normalmente associada ao contacto direto e desprotegido com aves infetadas ou materiais contaminados”.
“À população deixamos uma orientação simples: não tocar, recolher ou transportar aves doentes ou mortas e afastar crianças e animais domésticos desses animais. As ocorrências devem ser comunicadas ao Serviço de Desenvolvimento Agrário da respetiva ilha ou através da linha SOS Ambiente, disponível 24 horas por dia”, salientou.
Aos criadores e detentores de aves, o executivo apela a que “mantenham a vacinação atualizada, reforcem a limpeza e a desinfeção, protejam a água e os alimentos por contacto com aves selvagens e impeçam, onde possível, o acesso dessas às instalações”.
“Qualquer mortalidade anormal com sinais respiratórios, digestivos e neurológicos devem ser comunicados de imediato aos serviços veterinários oficiais”, acrescentou.
Desde 13 de agosto que está proibida a caça ao pombo-da-rocha em todas as ilhas dos Açores. A realização de feiras, mercados e exposições com aves depende da autorização prévia da Direção Regional da Agricultura, Veterinária e Alimentação.