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Ébola: OMS pede trégua humanitária para combater epidemia na RDCongo

Lusa
26-08-2026 11:59h

A OMS pediu hoje uma trégua humanitária de seis meses para combater a epidemia do Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo), facilitando a resposta e controlando as transmissões da doença, que já causou 2.715 mortes.

Segundo o diretor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África Oriental, Mohamed Yakub Janabi, o acesso às comunidades é o principal obstáculo à resposta na área da saúde, razão pela qual apelou às partes em conflito, incluindo o Exército e o grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23), bem como a dezenas de grupos armados, para que concordem com uma trégua, de modo a que as equipas de saúde "possam aceder as comunidades afetadas com segurança e sem impedimentos".

"Quando conseguirmos alcançar a população, interrompemos a transmissão. Quando não conseguimos, o vírus continua a espalhar-se", declarou Janabi na capital etíope, Adis Abeba.

Para o diretor da agência das Nações Unidas, a situação na RDCongo complica-se ainda mais pelo facto da variante do vírus do Ébola, Bundibugyo, não ter uma vacina ou tratamento.

Tanto Janabi como o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, e a diretora dos Centros Africanos de Controlo de Doenças (Africa CDC), Jean Kaseya, enfatizaram numa declaração conjunta que as equipas de saúde "trabalham sob uma pressão extraordinária, muitas vezes em zonas inseguras ou de difícil acesso".

"O trabalho deles deve ser acompanhado de ações concretas: segurança, equipamentos de proteção, formação, suprimentos médicos suficientes, salários em dia, apoio psicossocial e acesso a diagnósticos rápidos e cuidados de suporte de alta qualidade caso adoeçam. A segurança dos profissionais da linha de frente é fundamental para interromper a transmissão", sublinharam os diretores.

Os responsáveis defenderam ainda ser necessário mais financiamento para combater a epidemia no país africano.

As autoridades congolesas anunciaram hoje 5.656 casos confirmados e 2.715 mortes devido ao Ébola, uma taxa de mortalidade de 48%.

O Instituto Nacional de Saúde Pública congolês (INSP) especificou no boletim diário que 72 novos casos e 18 óbitos foram registados nas últimas 24 horas, enquanto 30 pacientes receberam alta nesse período.

Além disso, enfatizou que a província de Ituri permanece o epicentro da epidemia, respondendo por 83,4% dos casos detetados.

A atual epidemia já é a segunda pior da história e a maior na RDCongo, tendo ultrapassado a que também ocorreu na mesma região congolesa entre 2018 e 2020, embora ainda fique longe da mais grave registada até hoje, que provocou 11.000 mortes e 28.000 infeções na África Ocidental entre 2014 e 2016.

No entanto, a epidemia é também a de crescimento mais rápido desde a sua declaração em relação a qualquer surto anterior, pelo que o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que tem potencial para atingir os números da epidemia da África Ocidental.

Segundo a OMS, o vírus do Ébola começou a circular no leste da RDCongo em fevereiro, embora uma investigação publicada na revista Science, no final de julho, tenha sugerido que as primeiras infeções teriam ocorrido ainda antes, pelo menos em janeiro.

A epidemia está associada à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade oscila entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, segundo a OMS.

O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

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