O fumo denso que cobre várias províncias da Indonésia afetada por incêndios florestais alimentados pelo fenómeno meteorológico El Niño está a por em risco milhões de pessoas, alertaram hoje as autoridades.
Há várias semanas que o arquipélago enfrenta enormes incêndios florestais nas ilhas de Bornéu e Sumatra, com o fumo a espalhar-se para além dos focos de incêndio, afetando os moradores até mesmo na Malásia e Singapura.
O Ministério da Saúde informou que 3,4 milhões de pessoas na Indonésia correm o risco de infeções respiratórias devido aos incêndios e que milhares já receberam tratamento.
Em Pekanbaru, na ilha de Sumatra, as autoridades fecharam dezenas de escolas e estão a pedir aos residentes que permaneçam em casa.
As autoridades de Jambi decidiram também suspender as aulas do pré-escolar e do ensino primário.
O Ministério da Saúde distribuiu mais de 260 mil máscaras aos moradores das zonas mais afetadas.
Na terça-feira, o presidente Prabowo Subianto informou que o governo indonésio mobilizou dezenas de helicópteros, aviões e bombas de água, bem como milhares de pessoas, para combater os incêndios.
“Penso que a situação começa a ser controlada e os danos são limitados”, afirmou.
A maioria dos incêndios florestais é atribuída à agricultura de queimadas, tendo a Polícia Nacional da Indonésia anunciado este fim de semana que 72 pessoas foram detidas por suspeita de terem ateado incêndios.
Entre janeiro e julho, os fogos devastaram mais de 200 mil hectares, uma área três vezes maior do que a capital, Jacarta, segundo informou o governo na semana passada.
A área ardida é já maior do que durante os eventos El Niño de 2019 e 2023.
Este fenómeno natural, que agrava as alterações climáticas provocadas pelo homem, leva a alterações nos padrões de vento, pressão atmosférica e precipitação e, normalmente, provoca secas na Indonésia.