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Hospital Amadora-Sintra confirma escusa de enfermeiros e diz ter contratações em curso

LUSA
21-08-2026 16:37h

O hospital Amadora-Sintra confirmou hoje ter recebido uma declaração de escusa dos enfermeiros do serviço de urgência e adiantou que após análise das queixas foram contratados seis enfermeiros este mês e que vai contratar mais sete em setembro.

Dezenas de enfermeiros do hospital Amadora-Sintra entregaram à administração uma declaração de escusa de responsabilidade alegando falta de condições na urgência para prestar cuidados de saúde seguros e adequados aos utentes.

Questionado sobre o tema, o hospital Fernando Fonseca adiantou que após receber a declaração de escusa o conselho de administração reuniu com todos os chefes de equipa do Serviço de Urgência Geral (SUG), “tendo sido analisadas as questões identificadas pelos profissionais e as condições de funcionamento do serviço”, tendo também decorrido uma visita aos serviços pela Ordem dos Enfermeiros, que também acompanha a situação.

“No âmbito do reforço dos recursos de enfermagem, foram contratados, durante o mês de agosto, seis enfermeiros em regime de prestação de serviços, estando prevista para setembro a entrada de mais sete enfermeiros, através de contrato de trabalho”, adiantou a unidade hospitalar em resposta à Lusa.

O hospital acrescentou ainda que está em curso a contratação de um novo diretor do SUG, “com o objetivo de reforçar a liderança e a organização do serviço”, assim como “o trabalho com vista ao reforço da equipa médica do Serviço de Urgência Básica do Hospital de Sintra, através da contratação de novos médicos”.

Na resposta à Lusa, o hospital recorda que a Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora/Sintra apresentou em junho um plano de transformação da resposta assistencial até 2035, cuja concretização “será necessariamente progressiva”, e salienta que apesar da declaração de escusa apresentada, “os enfermeiros do SUG continuam envolvidos e empenhados na resolução das situações identificadas, mantendo o seu compromisso com a prestação de cuidados de saúde de qualidade aos seus utentes”.

Na declaração entregue no final de julho, os enfermeiros dizem que as atuais condições de funcionamento do SUG "está a expor os profissionais a responsabilidades decorrentes de circunstâncias que não controlam e não podem corrigir”, apontando designadamente a sobrelotação diária da área ambulatória, com permanência prolongada de utentes e insuficiência de dotações médicas nas diferentes áreas funcionais do serviço.

Em declarações à Lusa, um dos profissionais daquele serviço disse que os tempos de espera elevados se têm vindo a agravar, sobretudo desde que o serviço ficou sem direção clínica, no final de fevereiro.

Se em julho, segundo a declaração, os tempos de espera já tinham atingido as 12 horas para doentes muito urgentes e as 38 para doentes urgentes, no início deste mês a espera média para estes utentes chegou às 18 horas, com um pico de 10 horas para doentes muito urgentes, que deveriam ser vistos em 10 minutos.

A escassez de enfermeiros já tinha obrigado à redução da capacidade de internamento na urgência, que tem agora menos 18 camas.

Reconhecendo esforço do conselho de administração na tentativa de contratar mais enfermeiros, um profissional daquele hospital ouvido pela Lusa adiantou que a maior dificuldade tem sido mesmo “gerir o barco” sem direção clínica e lembra que esta sobrecarga assistencial prejudica médicos, enfermeiros e doentes.

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