O Hospital São Miguel, em Oliveira de Azeméis, está parcialmente fechado devido a uma infestação de baratas, revelaram hoje profissionais da unidade de saúde e fontes da autarquia, adiantando que a situação se manterá pelo menos até quinta-feira.
A presença excessiva dos insetos nesse equipamento da Unidade Local de Saúde (ULS) do Entre Douro e Vouga foi detetada já na segunda-feira, sendo que começou no dia seguinte o encerramento das valências mais afetadas.
“O hospital está fechado e ontem [terça-feira] começaram a transferir os doentes que lá estavam internados. A desinfestação já foi contratada e o previsto é que amanhã [quinta-feira] de manhã tudo esteja resolvido, para o hospital poder retomar o seu funcionamento normal”, disse à Lusa o presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, Joaquim Jorge Ferreira.
Contactada pela Lusa, a administração da ULS afirmou que o encerramento se verifica “no âmbito de ações contínuas de monitorização e manutenção das instalações”, o que os profissionais contactados pela Lusa rejeitam.
“No âmbito das ações contínuas de monitorização da Comissão de Controlo de Infeção (PPCIRA) e de manutenção das instalações do edifício do Hospital de São Miguel, em Oliveira de Azeméis, a ULS EDV determinou a realização de uma intervenção técnica profunda e abrangente de saneamento e higienização ambiental”, especificou a administração do hospital.
A ULS acrescentou que “deliberou não realizar intervenções meramente pontuais, optando por um plano estruturado de desinfestação que exige a desocupação temporária das áreas clínicas intervencionadas”.
“Se fosse uma desinfestação programada, não se tinham marcado consultas para estas datas nem os internados eram transferidos assim, de repente”, disse um dos funcionários do hospital contactados pela Lusa, que pediram para não ser identificados.
Outro profissional atribui o problema à falta de investimento na unidade: “O hospital é muito antigo e ninguém investe lá o suficiente, portanto, com canalizações velhas e tantos campos em volta, não dá para evitar estas coisas”.
Uma terceira fonte do hospital refere que os pisos sujeitos a encerramento total são os afetos ao internamento de Geriatria e aos serviços de Pediatria.
“Aí parou-se tudo e as consultas foram canceladas. A consulta externa de outras especialidades é que continua a funcionar”, explicou.
Especificamente no que se refere aos utentes internados, o presidente da Câmara informou que “cinco foram transferidos para o Hospital São Sebastião, em Santa Maria da Feira, e dois para o Hospital Francisco Zagalo, de Ovar”.
Entretanto, os trabalhos em curso no hospital incluem, segundo a ULS EDV, “uma intervenção nas redes de saneamento e a pulverização e posterior higienização profunda das instalações”.
A reabertura em pleno da unidade verificar-se-á quinta-feira de manhã se for positiva “a validação das condições de operacionalidade pelas equipas competentes”, já que, para a direção do hospital, “a segurança e o bem-estar dos seus doentes e profissionais são a prioridade absoluta”.