O Presidente da República reafirmou hoje que está "sempre disponível" para promover um pacto de longo prazo para a saúde, numa intervenção em que considerou que há ruído e emoção a mais no espaço mediático.
"O Presidente da República estará sempre disponível para favorecer este entendimento. É esse o sentido do pacto para a saúde que lancei no início do meu mandato e para o qual é necessário canalizar todas as energias. Uma democracia forte precisa de um SNS que promova acesso à saúde a tempo e horas, que permita dar aos portugueses mais anos de vida, mas também mais vida aos anos", declarou.
António José Seguro discursava no Fórum Internacional de Saúde de Cascais, no Centro de Congressos do Estoril, no distrito de Lisboa, iniciativa presidida pelo médico e antigo ministro Adalberto Campos Fernandes – que o chefe de Estado indicou em abril para coordenar a elaboração de um pacto para a saúde, processo do qual se desconhece o ponto de situação.
No fim da sua intervenção, o chefe de Estado alertou para os efeitos das alterações climáticas na saúde e para os desafios que as crises sanitárias colocam, e defendeu a cooperação internacional nesta matéria, mas também políticas públicas que tenham em conta "a salvaguarda dos recursos mínimos de autonomia".
Antes, o Presidente da República apelou, uma vez mais, à construção de "um Serviço Nacional de Saúde (SNS) mais forte e mais resiliente" que assegure o acesso de cada português a "cuidados de saúde a tempo e horas", referindo que não ignora as "dificuldades que o SNS atravessa", com listas de espera, urgências sob pressão, falta de médicos de família.
Segundo António José Seguro, para isso é preciso "valorizar as carreiras e fixar profissionais onde fazem mais falta é um investimento essencial" e "criar condições para que os mais jovens queiram construir o seu futuro" em Portugal – "porventura, o maior investimento que podemos fazer na saúde dos portugueses", apontou.
"E digo com a mesma clareza que a sustentabilidade do SNS não se garante apenas gastando menos, mas investindo melhor, com planeamento, avaliação, boa gestão e estabilidade. A saúde não pode ficar refém de ciclos políticos curtos. As grandes reformas exigem horizonte e o horizonte exige compromisso entre forças políticas, parceiros sociais e sociedade civil", acrescentou.
O Presidente da República discursou depois de assistir a uma sessão sobre demografia e longevidade em que participaram a professora universitária Maria João Valente Rosa, Camile Giaretta Sachetti, da Fundação Oswaldo Cruz, a economista Margarida Corrêa de Aguiar e Álvaro Beleza, médico e presidente da associação Sedes.
Seguro saudou encontros como este, entre especialistas, que no seu entender contrariam "a tendência de um debate público tantas vezes reduzido ao ruído, à pressão e à simplificação" e apelou a "mais racionalidade, menos ruído e menos emoção" no espaço público.
Sobre o envelhecimento da população, afirmou que "os diagnósticos tão feitos" e falta "agir sobre esses diagnósticos".
"O segundo ano do meu mandato será sobre este signo, o signo da demografia, com as implicações que isso tem no crescimento da nossa economia, na criação de riqueza, na produtividade e na organização da nossa forma de vida", salientou.
O chefe de Estado referiu que "Portugal continua a comparar mal com muitos dos seus parceiros europeus no número de anos de vida saudável depois dos 65 anos" e que "demasiados portugueses envelhecem com várias doenças crónicas e tantas vezes em solidão".
Na sua opinião, é preciso "investir mais na prevenção", apostar nos cuidados de saúde primários, "que devem ser o coração do SNS", e numa "articulação estreita entre a saúde e o apoio social e entre hospitais e centros de saúde" e também "entre o setor público, o setor social e o setor privado".
Sobre o uso da tecnologia na saúde, considerou que pode "antecipar diagnósticos, libertar os profissionais", mas que "sem regras claras, sem transparência e sem proteção de dados, pode acabar a "aprofundar desigualdades em vez de as reduzir".