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EUA cortam financiamento para programas de saúde no Zimbabué

Lusa
25-09-2026 18:23h

Os Estados Unidos da América (EUA) vão terminar o financiamento para os programas de saúde do Zimbabué no final de setembro, informou hoje a embaixada norte-americana em Harare.

Este desfecho resulta do colapso das negociações sobre o acordo proposto pelos EUA ao Zimbabué, e rejeitado por este país, em parte, devido à exigência de partilha de dados sensíveis de saúde.

A decisão foi confirmada por um porta-voz da embaixada em Harare, que divulgou declarações feitas esta semana pela embaixadora dos EUA, Pamela Tremont, afirmando que o fim dos programas de saúde apoiados por Washington ocorreu após "a decisão do Zimbabué de rejeitar um memorando de entendimento bilateral sobre a saúde".

A diplomata acrescentou que a relação entre os dois países deixará de ser "amplamente focada na saúde e na assistência humanitária para uma baseada em oportunidades económicas, comerciais e de investimento mais amplas".

Esta retirada gera incerteza sobre os programas de combate ao VIH (Sida) e a outras doenças, num país onde, durante décadas, os EUA foram o maior doador de cuidados de saúde, apoiando a prevenção e o tratamento do VIH, programas de tuberculose e malária, cuidados clínicos, sistemas laboratoriais, profissionais de saúde, material médico e programas comunitários.

As autoridades do Zimbabué manifestaram preocupação com a diminuição da ajuda internacional, afirmando que o país daria prioridade à angariação de fundos internamente, à medida que a assistência dos EUA e de outros países ocidentais se esgotasse.

Alguns defensores da saúde, no entanto, questionam se o Governo do Zimbabué, que enfrenta dificuldades financeiras, conseguirá absorver os custos.

"Os zimbabueanos já têm vindo a sofrer gravemente em resultado das interrupções abruptas em programas vitais de combate à malária, tuberculose e VIH, causadas pelas ordens de suspensão de trabalho dos EUA e pelo cancelamento dos contratos da USAID em 2025", disse Asia Russell, diretora executiva da 'Health GAP', um grupo internacional de defesa de direitos.

"Esta decisão fatal desencadeará uma catástrofe de saúde pública", acrescentou.

O Zimbabué está agora entre os primeiros países a enfrentar as consequências da nova abordagem de Washington de ligar a ajuda à saúde a acordos bilaterais entre países.

Em fevereiro, os dois países anunciaram o colapso das negociações no âmbito da abordagem "America First" do Presidente dos EUA, Donald Trump, à ajuda externa.

O porta-voz do Governo do Zimbabué, Nick Mangwana, disse então que a proposta continha condições que o país não podia aceitar, citando preocupações com a partilha de dados, a equidade, a soberania e o afastamento de Washington das instituições globais de saúde.

De acordo com Mangwana, a proposta estava ligada ao "acesso abrangente aos dados sensíveis de saúde do Zimbabué, incluindo amostras do vírus e informações epidemiológicas dos [seus] cidadãos".

O Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC, na sigla em inglês) descreveu o continente como enfrentando “uma crise de financiamento sem precedentes”, e constatou que a assistência oficial ao desenvolvimento para África foi reduzida para metade nos últimos cinco anos.

Sob a nova abordagem da administração Trump, Washington tem vindo a negociar acordos de saúde país a país, que, segundo o Presidente, reduzirão a dependência dos doadores e aumentarão o financiamento interno. Até à data, 35 países assinaram os acordos, a maioria em África, de acordo com a KFF, uma organização de investigação de políticas de saúde dos EUA que acompanha os acordos.

Pelo menos quatro países africanos — Gana, Zâmbia, África do Sul e Zimbabué — resistiram publicamente ou não conseguiram concluir novos acordos bilaterais de cuidados de saúde com os EUA, enquanto o acordo do Quénia enfrentou um desafio legal.

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