A Universidade de Oxford anunciou hoje que o primeiro voluntário recebeu uma vacina experimental dirigida especificamente à estirpe Bundibugyo do vírus Ébola, que matou mais de mil pessoas na República Democrática do Congo (RDCongo) e no Uganda.
Especialistas e organizações de saúde mobilizaram-se para desenvolver rapidamente vacinas e tratamentos contra a epidemia que surgiu em maio, provocada pelo vírus Bundibugyo, para o qual não existe atualmente uma vacina licenciada nem um tratamento específico.
No início deste mês, o Grupo de Investigação de Vacinas da Universidade de Oxford anunciou o lançamento do primeiro ensaio clínico em humanos para avaliar a segurança e a eficácia da vacina candidata, ChAdOx1 BDBV, desenvolvida especificamente para o Bundibugyo.
A primeira dose desta vacina, que utiliza a mesma tecnologia da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca, foi administrada hoje em Oxford a um voluntário de 37 anos, Ed Hunt, informou um porta-voz da universidade à agência AFP. Mais voluntários estão a ser recrutados.
"Levámos esta vacina candidata desde a sua conceção até aos primeiros testes em humanos em apenas oito semanas", disse David Pulido-Gomez, do Instituto de Ciências de Pandemias de Oxford, em comunicado, acrescentando que "alcançar este marco em tão pouco tempo reflete um esforço coletivo extraordinário".
Para este primeiro teste, financiado pela Coligação para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI), o Instituto Serum da Índia informou ter fornecido 4.000 doses experimentais. A instituição acumulou um 'stock' de 620 mil doses "para possível utilização futura".
Várias outras vacinas experimentais contra o Bundibugyo estão também a sofrer um desenvolvimento acelerado rumo a ensaios clínicos, enquanto dois potenciais tratamentos estão em preparação.
A epidemia de Ébola já provocou mais de mil mortos na República Democrática do Congo (RDCongo) e no Uganda, de acordo com os dados mais recentes divulgados na quarta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS).