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África tem de reforçar saúde para evitar impacto de cortes no financiamento - Líderes

Lusa
22-07-2026 17:04h

Os líderes africanos reunidos hoje numa conferência no Gana defenderam que o continente deve reforçar os sistemas de saúde para não ser afetado pelos cortes no financiamento, nomeadamente nas áreas do VIH e saúde materna.

"Uma África que depende de outros para proteger a saúde das suas populações não pode reivindicar a plena soberania; a nossa ambição é alcançar a autossuficiência, assumindo toda a responsabilidade", afirmou o presidente da Comissão da União Africana (UA), Mahmoud Ali Youssouf, na cerimónia de abertura, em Acra, de uma cimeira extraordinária da UA sobre saúde, sob o tema "Promover a justiça, a equidade e a cobertura universal de saúde: acabar com a SIDA e a tuberculose, melhorar a saúde materna e combater as doenças não transmissíveis endémicas e as doenças tropicais negligenciadas em África".

"Esta ambição poderá tornar-se realidade se o continente se dotar de uma cadeia de valor na área da saúde que abranja a produção de vacinas e tratamentos, bem como a sua homologação", sublinhou Youssouf, acrescentando que "a saúde é o dividendo do progresso e a garantia de um futuro melhor para as populações".

Na reunião, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, sublinhou os progressos alcançados na luta contra o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH/Sida), mas alertou que "África continua a suportar o fardo mais pesado e, à medida que o financiamento externo diminui, corre o risco de perder terreno".

Os sistemas de saúde africanos, continuou, "ainda não são suficientemente sólidos para proteger todas as pessoas deste continente", pelo que defendeu que "não basta tratar os sintomas, é preciso tratar também as causas subjacentes", como os conflitos, a pobreza, a falta de educação, a água insegura ou a desigualdade de género.

A realização desta cimeira centrada na saúde, que foi precedida na véspera por uma reunião ministerial, foi um compromisso assumido em fevereiro passado na 39.ª Cimeira Ordinária da União Africana, em Adis Abeba.

O encontro realiza-se num contexto marcado pelos drásticos cortes na ajuda internacional impostos pelos Estados Unidos e por vários países europeus desde o ano passado, que colocaram em risco a saúde e a vida de milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente em África.

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