As Nações Unidas alertaram hoje para a propagação do Ébola nos campos de deslocados no leste da República Democrática do Congo (RDC), indicando que a sobrelotação está a aumentar o risco de transmissão da doença.
O Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) advertiu que foram confirmados casos de Ébola em pelo menos 16 campos de deslocados na província de Ituri, no nordeste da RDCongo, epicentro da atual epidemia.
"Estes locais acolhem mais de 270 mil pessoas deslocadas, sendo que a sobrelotação e o acesso limitado aos serviços básicos aumentam o risco de transmissão da doença", indicou o OCHA em comunicado.
A ONU e os seus parceiros instalaram postos para lavagem das mãos e estão a realizar ações de sensibilização junto das comunidades sobre as medidas de prevenção contra o Ébola, acrescentou o OCHA.
Casos de Ébola, que se transmite através do contacto próximo e de fluidos corporais infetados, foram até agora detetados em cinco províncias da RDCongo, bem como no vizinho Uganda.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram registados 2.344 casos confirmados da doença na RDC, incluindo 930 mortes. Além disso, 466 doentes recuperaram e 192 casos permanecem classificados como suspeitos.
A epidemia é já a terceira maior alguma vez registada de Ébola. A 17.ª epidemia de Ébola na RDCongo foi declarada em 15 de maio, após várias mortes ocorridas em Ituri, uma província rica em recursos minerais e afetada pela atividade de grupos armados.
Não existe atualmente qualquer vacina ou tratamento aprovado contra a rara estirpe Bundibugyo do vírus Ébola, responsável pela atual epidemia.