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SOS Voz Amiga alerta para suicídio entre homens maiores de 60 anos

LUSA
08-09-2026 06:00h

A Linha SOS Voz Amiga vai disponibilizar 48 horas de escuta contínua para assinalar o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, com um alerta para os homens com mais de 60 anos que precisam de ajuda e raramente a pedem.

“Como vem sendo hábito nos últimos anos, vamos assinalar a data [10 de setembro] com uma jornada contínua de atendimento, entre as 00:00 horas de quarta-feira e as 24:00 horas de quinta-feira”, disse à agência Lusa o presidente da SOS Voz Amiga, a linha de apoio emocional mais antiga de Portugal.

Segundo Francisco Paulino, esta iniciativa é “um esforço suplementar” que exige “uma grande generosidade” dos voluntários da linha, que tem como objetivo ajudar pessoas em situações de sofrimento causadas pela solidão, ansiedade, depressão ou em risco de suicídio, funcionando diariamente das 15:30 às 00:30 (213544545, 912802669, 963524660 e 930712500).

“Costumamos dizer que o sofrimento não tem hora e é bem verdade”, disse, explicando que a associação gostaria de alargar o horário de atendimento, mas é muito difícil por ser um trabalho assegurado por voluntários.

Em 2025, a linha atendeu 11.000 chamadas. Atualmente, atende uma média de 1.000 por mês. A duração média do atendimento é de 20 minutos, mas pode pontualmente prolongar-se por uma hora ou mais, de acordo com a gravidade da situação.

A solidão, ansiedade e depressão são as situações mais colocadas e abrangem todas as idades, disse o responsável, defendendo que é preciso “chamar a atenção das pessoas” para o tema da saúde mental, porque “os números continuam preocupantes”.

“Temos chamadas de pessoas de todas as idades, que variam entre os 12 anos e os 80, sendo que se concentram mais na faixa etária entre os 35 e os 55 anos”, com uma equivalência entre chamadas de homens e mulheres, disse o presidente da SOS Voz Amiga, organização fundada a 9 de outubro de 1978 e à qual Francisco Paulino está ligado há quase 30 anos.

Entre os 12 e os 25 anos, “os pedidos de ajuda são maioritariamente no feminino e é precisamente no feminino que a ideação suicida é mais evidente”.

Entre os rapazes mais novos, sobretudo aos 12, 13 e 14 anos, surgem queixas relacionadas com bullying e falta de apoio familiar, disse, observando que muitos jovens têm dificuldade em procurar ajuda através do telefone.

Acima dos 60 anos, também são as mulheres quem mais liga: “Pretendem conversar, desabafar, falar sobre solidão, relacionamentos familiares quase inexistentes. É muito raro haver ideação suicida. Por outro lado, os homens acima dos 60, não ligam, mas estão no pódio dos números de suicídios”, salientou.

Segundo as últimas estatísticas divulgadas, citou, em cada 100 suicídios, 80 são homens e 20, mulheres, uma situação que diz estar ligada à ideia que ainda prevalece, “que o homem não chora, o homem não demonstra sofrimento e depois o resultado é este”.

“Não falando sobre os seus problemas, o sofrimento tem tendência a aumentar e acaba por trazer estes números muito preocupantes”, lamentou.

Em Portugal, segundo os números oficiais, acontecem três suicídios por dia, mas, afirmou, “existe a convicção de que serão mais, devido à causa da morte ser algumas vezes mascarada, como doença súbita, acidente, etc”, devido ao estigma associado ao suicídio, por vergonha dos familiares que querem evitar ser acusados de falta de apoio ou ainda por motivos de cariz religioso.

“Nunca vamos ter um país saudável se quase um quarto da população convive com um transtorno de saúde mental”, realçou.

A solidão ocupa um lugar central nas preocupações da associação, com Francisco Paulino a defender que o problema deveria merecer atenção política, com a criação de uma “secretaria de estado da solidão”.

Sustentou que em Inglaterra, no Reino Unido e no Japão, existe um Ministério da Solidão, porque é uma problemática que se justifica acompanhar, por estar na origem de outros problemas de saúde mental e contribuir para o seu agravamento

Questionado sobre a Linha de Prevenção do Suicídio e Apoio Psicológico (1411), criada há um ano, assegurada por psicólogos e enfermeiros com formação em saúde mental e vocacionada para situações de crise, disse ser “uma mais-valia”.

Explicou que algumas pessoas são posteriormente encaminhadas para a SOS Voz Amiga quando não se encontram no pico da crise, mas continuam a necessitar de alguém que as ouça.

Para o responsável, permanece, contudo, o problema da resposta posterior. O tempo de espera por consultas mantém-se elevado, criando aquilo que descreve como “um ciclo vicioso”, em que aumenta a procura de ajuda enquanto a capacidade de resposta continua limitada.

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