SAÚDE QUE SE VÊ

Infarmed recomenda planeamento para evitar interrupção de tratamentos em férias

Lusa
20-07-2026 12:29h

O Infarmed recomenda quem viaja com medicamentos a verificar com antecipação os requisitos sanitários ou aduaneiros do destino e levar sempre consigo maior quantidade para prevenir eventuais imprevistos na viagem.

Num guia hoje lançado, a Autoridade Nacional do Medicamento e produtos de Saúde faz uma série de recomendações a quem viaja para garantir a continuidade dos tratamentos e evitar problemas de saúde ou contratempos nas fronteiras.

Antes de viajar, o Infarmed aconselha que se fale sempre com o medico assistente para perceber se o estado de saúde é compatível com a viagem pretendida e a calcular a quantidade de medicamentos necessária sempre tendo em conta possíveis atrasos na viagem ou até extravio de malas.

Para facilitar a passagem pelas fronteiras, o Infarmed aconselha a transportar sempre receita médica, ou cópia da receita eletrónica atualizada, uma declaração ou relatório médico - preferencialmente em inglês ou na língua do país de destino -, identificando o doente, a medicação prescrita, as doses e a necessidade de eventuais dispositivos médicos, como seringas ou agulhas.

Deve igualmente transportar uma lista dos medicamentos utilizados, identificados pela Denominação Comum Internacional (DCI), uma vez que os nomes comerciais podem variar entre países.

Quanto ao transporte de medicamentos, recomenda que os fármacos essenciais viajem sempre com o doente na bagagem de mão, evitando interrupção em caso de extravio, que permaneçam guardados nas embalagens originais, acompanhados dos respetivos folhetos informativos, o que facilita a identificação pelas autoridades.

Se a viagem for de carro, nunca se deve deixar os medicamentos no interior, pois pode atingir temperaturas que podem comprometer a qualidade dos fármacos. A este respeito, o Infarmed recomenda que se verifiquem sempre as condições de armazenamento, pois há alguns medicamentos que precisam de frio.

Em viagens que impliquem atravessar vários fusos horários, alerta que poderá ser necessário ajustar o horário das tomas, avisando que este ajuste deve ser feito com aconselhamento médico, sobretudo em tratamentos como a insulina, anticoagulantes ou medicamentos antiepiléticos.

Aconselha ainda a que se verifique a legalidade dos medicamentos no destino, pois alguns fármacos autorizados e habitualmente utilizados em Portugal podem estar sujeitos a restrições, controlo apertado ou mesmo não estar autorizados noutros países.

Por isso, aconselha a contactar a embaixada ou o consulado do país de destino antes da partida.

Como exemplos de medicamentos com restrições internacionais, o Infarmed aponta a dipirona (metamizol), usada para reduzir a febre alta e aliviar dores agudas, que não está autorizada ou comercializada em países como os Estados Unidos, o Reino Unido, o Japão e a Austrália.

Outro dos exemplos é a nimesulida, um anti-inflamatório não esteroide usado para o alívio de dores agudas, processos inflamatórios e febre, que foi retirada ou está sujeita a restrições em vários países devido ao risco de lesão hepática.

O Infarmed avisa ainda que alguns países, como a Índia, o Paquistão e a Turquia, aplicam regras rigorosas no transporte de determinados medicamentos psicotrópicos e que as anfetaminas e alguns medicamentos que as contenham podem ser consideradas ilegais nalguns países.

Alerta igualmente que os Emirados Árabes Unidos têm uma das regulamentações mais rigorosas do mundo em matéria de medicamentos controlados e que, dependendo da substância em causa, poderá ser necessário apresentar receita médica, relatório clínico e, em determinados casos, obter autorização prévia das autoridades de saúde do país.

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