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Surto de Sarampo junto à fronteira com Moçambique preocupa autoridades do Maláui

LUSA
20-07-2026 09:31h

Um surto de sarampo em Nsanje, Maláui, junto à fronteira com Moçambique, já provocou uma morte e 188 casos suspeitos, agravado por crenças religiosas, levando as autoridades a reforçar a vigilância transfronteiriça e a vacinação, foi hoje divulgado.

Segundo um relatório da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), o surto, inicialmente detetado em setembro de 2025 na Autoridade Tradicional de Malemia, alastrou entretanto a várias outras zonas do distrito, incluindo Mlolo, Ngabu, Chimombo, Nyachikadza, Tengani e Mbenje, sul do Maláui, junto à província moçambicana de Tete.

O documento, com dados até 19 de julho de 2026, indica que foram registados 188 casos suspeitos de sarampo, dos quais 76 confirmados laboratorialmente, sendo as crianças com menos de 15 anos, sobretudo as menores de cinco anos, as mais afetadas.

A FICV assinala ainda que alguns dos casos reportados tiveram origem em comunidades vizinhas de Moçambique, numa altura em que as autoridades identificam os movimentos transfronteiriços como um dos fatores que contribuem para a propagação da doença.

Na descrição da situação, no relatório destaca-se que o surto continua a agravar-se, afetando várias comunidades, especialmente as localizadas ao longo da fronteira entre o Maláui e Moçambique.

Entre os principais fatores apontados para a evolução do surto estão a baixa cobertura vacinal, a procura tardia de cuidados de saúde, a movimentação populacional transfronteiriça e os registos incompletos de vacinação.

A situação agravou-se em Mbenje, onde existe uma comunidade apostólica que não acredita na procura de tratamento em unidades sanitárias e onde alguns membros evitam recorrer aos serviços de saúde devido às suas convicções religiosas.

No relatório acrescenta-se que uma criança morreu depois de não ter sido levada a uma unidade sanitária para receber assistência médica, caso que reforçou os esforços de sensibilização junto das comunidades afetadas.

Perante o agravamento da situação, o Ministério da Saúde do Maláui está a preparar uma intervenção urgente de mobilização comunitária e comunicação de risco para reforçar a consciencialização sobre a importância da procura atempada de cuidados médicos, da vacinação contra o sarampo e de outras medidas de prevenção.

As autoridades malauianas e os parceiros estão igualmente a reforçar a vigilância transfronteiriça e a coordenação com comunidades vizinhas em Moçambique para monitorizar uma eventual transmissão da doença entre os dois países.

Segundo a FICV, a resposta continua condicionada pela escassez de material médico essencial, insuficiência de transporte e combustível e recursos limitados para apoiar a vigilância ativa e as ações rápidas de resposta ao surto.

Moçambique, por seu turno, registou 18 novos casos de sarampo no início de março, elevando a 697 doentes, além de uma morte, o total do atual surto, em cerca de sete meses, segundo dados oficiais noticiados anteriormente pela Lusa.

Conforme o Resumo Epidemiológico do Sarampo, elaborado pela Direção Nacional de Saúde Pública (DNSP) e que compila dados de 29 de julho de 2025, início do presente surto, até 08 de março, os casos da doença estão concentrados no centro e norte do país, com um morto, em Nampula.

As províncias mais afetadas até então foram Sofala, no centro, que contava com um acumulado de 238 casos, Nampula (195), Niassa (115) e Zambézia (102).

O surto iniciou-se dois anos após uma campanha de vacinação, que, em agosto de 2023, em menos de uma semana, abrangeu cinco milhões de crianças, até aos 4 anos e 9 meses, um número acima do inicialmente estimado, anunciaram então as autoridades, sublinhando que o objetivo foi evitar um surto da doença em cinco províncias.

Anteriormente, de janeiro de 2020 até junho de 2023, Moçambique registou 2.565 casos de sarampo, 80% dos quais notificados nas províncias de Niassa (norte) e Zambézia, Tete, Manica e Sofala (centro), afetando sobretudo menores de 5 anos.

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