O presidente do Governo da Madeira (PSD/CDS-PP), Miguel Albuquerque, admitiu hoje que poderá haver alterações nos orçamentos regionais, para canalizar mais verbas para as obras do novo hospital da região e da Unidade de Saúde do Porto Santo.
“Temos de lidar com a realidade, não com aquilo que a gente quer”, disse, para logo reforçar: “Eu, enquanto presidente do governo, quanto mais barata a obra fosse, melhor. Agora, nós temos de enfrentar a realidade.”
Miguel Albuquerque, também líder da estrutura regional do PSD, falava aos jornalistas na ilha do Porto Santo, onde participou na abertura do 1.º Congresso Internacional de Advocacia Insular, organizado pela delegação da Madeira da Ordem dos Advogados, e visitou as obras da nova unidade de saúde local e marcará ainda presença na abertura da Expo Porto Santo, às 18:00.
O governante assegurou que o Governo da República, liderado pelo social-democrata Luís Montenegro, mantém o compromisso de financiar em 50% a construção do novo Hospital Central e Universitário da Madeira.
O concurso público internacional para a terceira e última fase da infraestrutura foi lançado em julho, pelo valor de 415 milhões de euros, elevando custo total da obra para cerca de 515 milhões de euros.
A previsão inicial, em 2018, apontava para um investimento de 350 milhões de euros, mas Miguel Albuquerque recusa classificar o aumento como derrapagem, apontando antes para subida exponencial dos preços dos materiais e da mão-de-obra, decorrentes do contexto de crise internacional.
Por isso, mesmo com a comparticipação de 50% do Estado, admite cortar o investimento nalgumas áreas e canalizar verbas dos orçamentos regionais para aquela obra, bem como para a Unidade de Saúde do Porto Santo, argumentando que são “prioridades máximas da região”.
O chefe do executivo madeirense indicou que a infraestrutura do Porto Santo, cuja segunda fase arranca em breve, vai custar cerca de 35,5 milhões de euros, mais 17,5 milhões do que inicialmente estimado, devendo entrar em funcionamento no verão de 2028.
“É uma das obras mais importantes da história do Porto Santo”, disse.
O projeto inclui uma ala de cuidados continuados com 20 camas e a construção de alojamentos para profissionais deslocados.
Em relação ao Hospital Central e Universitário da Madeira, o Governo Regional estimava que estaria concluído em 2027, mas, entretanto, alterou a previsão para a entrada em funcionamento apenas no final de 2029.
Localizado nos arredores da cidade do Funchal, em Santa Quitéria, o Hospital Central e Universitário da Madeira ocupa uma área de aproximadamente 171.318 metros quadrados e terá cerca de 600 camas, um heliporto e cerca de 1.200 lugares de estacionamento.
Em 2018, o Estado português declarou o empreendimento como projeto de interesse comum e assumiu o financiamento de 50% da obra.